quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Livro inédito de Ariano Suassuna é lançado esta semana no Recife



 Zélia, o grande amor de Ariano, e seu filho, Dantas, que vem cuidando do legado do pai Foto: Leo Mota/ JC Imagem
 Zélia, o grande amor de Ariano, e seu filho, Dantas, que vem cuidando do legado do pai
Foto: Leo Mota/ JC Imagem


 O romance, dividido em dois volumes, é tido como o grande legado literário do artista e foi organizado pela família

Cascalho, rochedo, pedregulho, granizo. Ariano Suassuna sempre foi fascinado por qualquer tipo de pedra, fato que não passa despercebido pelos seus leitores. O paraibano que fez de Pernambuco sua morada, falecido em julho de 2014, aos 87 anos, colocou muitas vezes as pedras como sendo figuras centrais não só de suas criações artísticas, mas também de suas analogias. Ele costumava dizer que, em sua família, haviam as pessoas que jogavam as pedras e outras que as recolhiam, como bem lembra seu filho Manuel Dantas – também as juntava e colecionava, complementa Zélia, seu grande amor e esposa.
Existem ao longo de sua notável trajetória de vida referências diretas a este encantamento, desde o romance A Pedra do Reino, que consagrou o autor nacionalmente e representa um dos marcos iniciais do Movimento Armorial, às esculturas na casa onde morou e onde Zélia continua vivendo, no bairro de Casa Forte, passando ainda pela tipografia que vinha desenvolvendo desde a década de 1990, através da qual a rigidez do ferro deu espaço à sinuosidade da pedra esculpida. Tudo parecia estar sendo meticulosamente e poeticamente pensado para este momento, este livro inédito e póstumo que acaba de ser lançado pela editora Nova Fronteira: A Ilumiara – Romance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores (R$ 189,90).
Ao longo de seus últimos 30 anos de vida, Ariano vinha trabalhando nesta que é sua grande obra, seu testamento literário, finalizada um pouco antes dele falecer. O próprio termo ilumiara foi criado por ele para se referir aos anfiteatros formados por pedras insculpidas e pintadas. O box, contendo os dois volumes do romance, chegou às livrarias da capital pernambucana na última semana, mas esgotou em poucos dias. Neste sábado, às 15h haverá na Livraria Cultura do RioMar Shopping o lançamento oficial da obra com um evento fiel à trajetória e ao universo suassuniano.
Dantas vai levar ao Teatro Eva Hertz uma aula espetaculosa aberta ao público, acompanhado com Carlos Newton Júnior (pesquisador da obra de Ariano Suassuna e autor da apresentação do romance), Ricardo Barbarena (autor do posfácio), Esther Simões (neta de Ariano e pesquisadora), Ricardo Gouveia de Melo (designer e idealizador do projeto gráfico da obra) e Adriana Victor (jornalista e ex-assessora do escritor).
O próprio termo “aula espetaculosa” não é apenas uma alusão às aulas- espetáculo, grande projeto de Ariano que o levou às mais diversas cidades de todo o País e através das quais ele unia em um universo circense música, dança e contação de causos. É que Dom Pantero, protagonista deste livro, realiza uma aula espetaculosa através da qual ele satisfaz seu desejo criativo de escritor frustrado com a ajuda de seu três irmãos, um dramaturgo, outro romancista e o terceiro poeta – cada um deles, assim como um tio ensaísta, representando as diversas facetas criativas do próprio Ariano, além das ilustrações que permeiam todas as páginas da obra.
O livro em si é, na verdade, a aula espetaculosa, um grande simpósio que se desenvolve ao longo de uma manhã e de uma tarde, daí a decisão de dividir a obra em dois volumes, O Jumento Sedutor e O Palhaço Tetrafônico. “Se ele tivesse tido mais tempo, vivido mais, teria escrito um terceiro volume, que corresponderia à parte noturna do simpósio”, explica Dantas.
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Autobiografia, ficção, ensaio, poesia, teatro ou artes plásticas? Não há porque classificar O Romance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores em apenas um gênero, já que todos estão presentes nas mais de mil páginas do livros. Essa amálgama literária e visual é justamente o que define o livro como sendo, para Carlos Newton, “o mais pós-moderno da literatura brasileira”. “Através da história de Dom Pantero e de seus alter egos, Ariano está falando de si e do Brasil. É um grande ensaio sobre nosso país”, ressalta Raimundo Carrero, leitor assíduo de Ariano e autor da contracapa do primeiro volume. São inúmeros os personagens que permeiam o livro e muitos deles foram baseados em pessoas que passaram pela vida do autor, às vezes com seus verdadeiros nomes e outras não.
“Ele sempre pensou o livro plasticamente, onde queria reunir todas suas formas de expressão”, pontua Dantas. “Ariano não foi só um grande artista, mas também um grande comunicador”, ressalta Ricardo Gouveia. Além de ter se inspirado em amigos e familiares para criar a narrativa de Dom Pantero – que também é a sua própria –, o autor, como sempre muito perspicaz e bem-humorado, também inseriu críticas que foram publicadas em grandes jornais do Brasil sobre suas obras, mas atribuindo-as a diários de cidades interioranas nordestinas.
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Processo Criativo
Escreve, desenha, rasura, reescreve e rasura mais uma vez. Em 33 anos, não foram poucas as mudanças realizadas por Ariano no seu romance. Montado a mão, o autor ia tirando cópia do que escrevia e fazendo as colagens das ilustrações. “Ele compartilhava conosco as mudanças. Enquanto reescrevia, lia algumas partes e mostrava como estava o andamento do livro”, lembra Zélia.
“Sua ideia inicial era de publicá-lo acompanhado de um DVD onde estariam reunidos trechos das aulas espetáculos que dialogavam com a história, mídia que foi substituída por QR codes”, complementa Carlos Newton. Ao leitor e espectador muito atento, passagens das apresentações do paraibano não passarão despercebidas em trechos d’O Romance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores.
A simbiose entre a ficção e a realidade é muito bem construída e chega a ultrapassar as páginas do livro, indo até a fazenda Carnaúba, em Taperoá, no Cariri paraibano, cenário bastante característico e próprio do imaginário de Ariano. Manuel Dantas está realizando um dos sonhos de seu pai, o de concretizar a Ilumiara Jaúna que ilustra o livro. A pedra de mais de 30 metros de comprimento está sendo esculpida pelo filho com os desenhos criados pelo pai. “Tenho ainda um projeto maior de realizar espetáculos lá afazendo. Estou também planejando uma exposição com as litogravuras do meu pai, os originais do livro e outros material”, finaliza. O legado de Ariano Suassuna continuará, sem dúvidas, vivendo.
Por  Valentine Herold, no JC Online/

Como exatamente os povos africanos se comunicam com tambores?

E como o funcionamento desse método é essencial para entender a história das telecomunicações

 

Um bit é uma unidade de medida, como um quilo, um litro ou um metro. Só que em vez de massa, volume ou distância, ele serve para medir algo um pouco mais abstrato: informação.
Quando alguém pergunta (por exemplo) se você tem filhos, só há duas respostas possíveis: “sim” ou “não”. Essa resposta contém, sem tirar nem pôr, um bit.
Um bit é uma escolha entre duas possibilidades quaisquer: sim e não, preto e branco, direita e esquerda. Ou, se você for um computador, 0 e 1. O famoso código binário, alicerce de tudo que se faz no Vale do Silício.
Hoje em dia, um bit é carne de vaca, coisa banal. Seu celular processa 30,2 milhões deles cada vez que você ouve em Shape of You, de Ed Sheeran. Isso significa que a quantidade de informação que um alto falante precisa receber para fazer o ar vibrar de forma que você ouça a canção equivale a 30,2 milhões de perguntas do tipo “sim ou não”.
Houve uma época, porém, em que transmitir um bit (um mísero bit, unzinho) era um esforço homérico. E “homérico”, aqui, é ao pé da letra: estou falando da Guerra de Troia.
Quando a cidade lendária caiu na trapaça do cavalo de madeira, os gregos precisaram dar um jeito de enviar a boa notícia à cidade-estado de Micenas, a 600 quilômetros de distância. Era lá que estava Clitemnestra, esposa de Agamenon, o líder do exército vitorioso. Em 1200 a.C. não havia celular ou rádio, então o jeito foi usar uma rede de fogueiras pré-posicionadas nos cumes mais altos de uma cadeia de montanhas.
Era uma mensagem simples: fogueira acesa significava “vitória”, fogueira apagada, “derrota”. A tática funcionou graças ao mesmo princípio do telefone sem fio: uma fogueira acesa no topo de uma montanha pode ser vista em um raio de dezenas de quilômetros em torno de si. O suficiente para o mensageiro que está no topo da próxima montanha observá-la e acender sua própria. E assim por diante, até o bit solitário e luminoso, de fogueira em fogueira, atingir seu objetivo do outro lado.
É um esforço aceitável nessa situação, mas não é o mais prático dos interurbanos. Pena que, mais de 3 mil anos depois, pouca coisa havia mudado na Europa. Até a invenção do código Morse e do telégrafo, no século 19, mensageiros a cavalo (ou, porque não, fogueiras?) ainda eram a maneira mais rápida de enviar um telegrama.
Dá para imaginar então a surpresa dos primeiros missionários europeus quando eles começaram a explorar a África no século 18 e descobriram que vários povos considerados “primitivos” na verdade eram capazes de transmitir mensagens complexas (e poéticas, como você descobrirá daqui a pouco) por distâncias enormes usando… tambores. Pois é, tambores.

Notícias de nascimentos, funerais e batalhas. Valia tudo. Como o som dos tambores ecoava por até 10 quilômetros quando eles eram tocados às margens de um rio, em menos de uma hora uma mensagem complexa poderia atingir os músicos de todas os núcleos populacionais em um raio de 150 quilômetros – que então se encarregariam de passá-la para frente.
Os europeus levaram um baile. Quando partiam em uma jornada, sua chegada já havia sido comunicada, via tambores, ao local de destino. Um passe de mágica para os padrões da época. O truque só seria revelado 200 anos depois, em um livro publicado em 1949 pelo britânico John Carrington – que se mudou para a África com 24 anos, se apaixonou pelo continente e lá ficou.
É o seguinte: muitas línguas da África subsaariana, ao contrário das latinas, são tonais. Isso significa, grosso modo, que uma mesma palavra, como “bola”, pode significar coisas diferentes se for dita com entonação de pergunta (“bola?”) ou de exclamação (“bola!”). Essa peculiaridade adiciona uma camada extra de significado à língua: além da articulação das consoantes e vogais, a melodia da voz transmite informações. Falar e cantar são quase a mesma coisa.
Instrumentos de percussão, ao contrário de nós, não são capazes de produzir vogais e consoantes. Mas alguns (é só lembrar das cuícas brasileiras) podem produzir melodias e até imitar razoavelmente bem os sons de animais. Ao usar os tambores para reproduzir a parte melódica de frases pronunciadas em língua tonal, os povos do sul da África conseguiam “falar” com a música.
Acontece que essa é uma simulação de fala meio abafada: sabe quando alguém que está escovando os dentes tenta falar com você de boca fechada? Dá para descobrir se o “hunf hunf” é uma pergunta, uma afirmação ou uma resposta. Mas é quase impossível identificar as palavras isoladamente.
Isso acontece porque seu interlocutor excluiu bits da mensagem. Uma camada de informação, que corresponde às vogais e consoantes, foi perdida. Só ficou a outra, a da entonação. Para compensar essa perda de informação, uma saída possível é adicionar mais palavras. Repetir a mesma frase de outros jeitos, até que a pessoa entenda, por cruzamento de informações, exatamente o que você quer dizer.
Os africanos sacaram isso: sendo redundantes, eles conseguiam fazer os tambores serem bem, bem específicos. Por isso, uma frase tão simples quanto “nasceu uma criança em no vilarejo de Bolenge” se tornava “As esteiras estão enroladas, sentimo-nos fortes, uma mulher veio da floresta, ela está na vila aberta, e basta por enquanto”.
Pois é, muito maluco. E metafórico. No fundo, porém, é a mesma coisa que fazemos em um país estrangeiro quando precisamos falar algo para um gringo: gesticular, usar metáforas e dar voltas desnecessárias para transmitir uma ideia.
E esse é, mais no fundo ainda, o resumo de toda a história das telecomunicações: um equilíbrio delicado entre a quantidade de bits que nós temos à disposição para transmitir mensagens, e os truques que usamos quando a quantidade de bits é insuficiente. Telégrafo, telefone e Skype foram só os próximos passos da mesma jornada.
Essa história sensacional – e muitas outras, ainda melhores – são contadas no livro A Informação, de James Gleick (que saiu na Brasil pela Cia. das Letras). Ele não é novo, mas vale dar uma boa procurada em sebos para encontrá-lo.
 Por Bruno Vaiano/Superinteressante

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Orientação vocacional: Você ainda não sabe o que estudar?

A Orientação vocacional geralmente é realizada por psicólogos, que através da pesquisa e análise de provas de interesses, aptidões e personalidade, apoia ao aluno no percurso acadêmico e profissional indicado, além de sugerir estratégias de autoconhecimento.
Mas qual é nossa vocação profissional? Este é um dos interrogantes que surge quando estamos por finalizar o ensino médio ou quando não começamos ainda uma formação de educação superior. Se não conhecemos nossa vocação, fica difícil saber qual caminho profissional devemos seguir.
Sem dúvida, encontrar áreas de estudo relacionadas aos nossos interesses, habilidades e aptidões não é tarefa fácil, especialmente se não foram exploradas 100% e algumas ainda não foram descobertas. Por isso é muito importante identificar os pontos que nos ajudam a tomar a decisão certa.


O que eu gosto de fazer?

Este primeiro ponto é primordial. Não devemos confundir nossos hobbies com nossas habilidades e destrezas. Muitos de nós gostamos de ver televisão, mas apesar disso, esta ação não está internamente relacionada com a nossa vocação, a não ser que alguns programas concretos sobre: animais, arte, esportes, moda, etc, nos agrade muito. Neste caso, podemos considerar isto como uma inclinação sobre o que nos chama a atenção para estudar, sem ser um fator determinante.
Devemos estabelecer em quais áreas nos destacamos e quais nos apaixonam. Por exemplo, se gostamos de matemática e consideramos que temos habilidades nas carreiras que as contêm, então será um ponto de partida para escolher uma formação relacionada com a mesma.


Que opções de estudo existem?

Atualmente a oferta educativa é tão ampla e variada. Podemos fazer infinitas pesquisas pela internet para desta maneira encontrar o que queremos estudar, desde uma carreira técnica ou tecnológica até uma carreira profissional. Quando estabelecemos a área de interesse, podemos nos enfocar em encontrar uma formação que se adapte ao que queremos fazer por muitos anos.
No mundo todo, diversas instituições educativas oferecem cursos que se adaptam as nossas necessidades e preferências, dando-nos um abanico de possibilidades nas quais teremos mais espaço para optar por um tipo de estudo de acordo às habilidades que possuímos. Alternativas como: flexibilidade horária, metodologia de estudo, modalidade, formas de pagamento e financiamento contribuem para reduzir o filtro e alcançar as respostas para nossas inquietudes.
Níveis de estudo na Educação Superior: 
  • Carreira de nível Técnico: É um estudo caracterizado por ser mais curto que uma carreira profissional (1 a 2 anos), de menor custo, conciso e de maior especificidade ao se aprofundar em áreas concretas, com um alto nível de prática. Se o estudo for realizado numa instituição reconhecida pelo Ministério de Educação, independentemente do país, se obtêm um título de Técnica/o.
    https://www.educaedu-brasil.com/curso-tecnico
  • Carreira Tecnológica: É similar à carreira técnica; duração intermedia de formação (2 a 3 anos). Diferencia-se da anterior por sua metodologia e processo de investigação; está pensada para sistematizar a experiência. O título recebido é o de Tecnóloga/o, sempre e quando se trate de uma instituição respaldada pelo Ministério de Educação do Brasil.
  • Carreira Profissional (Licenciatura ou Bacharelado): O tempo de duração é mais prolongado (4 a 5 anos, ou mais); o conhecimento é vasto, dá igual importância à parte teórica e prática. Abarca matérias intrínsecas à área de estudo e outras humanísticas, sem que estejam diretamente vinculadas com a temática da carreira. Os títulos recebidos em sua grande maioria dão a possibilidade ao aluno de seguir seus estudos em cursos de pós-graduação. https://www.educaedu-brasil.com/graduacao

 


Indagar, investigar, explorar.

É importante investigar muito além do nome do curso que queremos estudar. Como diz o ditado “a embalagem pode nos atrair mais que o conteúdo”. Ao escolher uma carreira, devemos considerar estes pontos:
  • Matérias
  • Duração
  • Campos de ação
  • Trajetória da instituição
  • Se a instituição e o curso são reconhecidos pelas autoridades de educação pertinentes
  • Convênios com outras instituições
  • Corpo docente
  • Comentários de alunos e graduados
  • Atividades extracurriculares

Buscar assessoria:

Ao concluir o ensino médio, não devemos nos precipitar em determinar o que vamos fazer a nível universitário sem antes pesquisar muito. Com o passar dos anos, uma decisão apressurada pode traduzir-se em frustração.
Por sorte existem diversas instituições que oferecem testes vocacionais aos seus alunos em potencial, geralmente são espaços acadêmicos, nos quais se busca reconhecer os talentos de cada pessoa, em áreas pontuais. Poderíamos pesquisar diretamente nas universidades onde gostaríamos de estudar, muitas delas oferecem este tipo de assessoria. Podemos também realizar oficinas ou programas curtos que estimulem nossa capacidade cognitiva na execução dos conteúdos que queremos abordar.
Não devemos deixar de lado os testes online gratuitos oferecidos na internet tanto por instituições de ensino quanto por páginas web independentes, tais como: guiadacarreira.com.br/teste-vocacional/, testevocacional.org, testevocacionalonline.com.br.
É aconselhável buscar orientações profissionais aprovadas por instituições de renome.


Quanto tempo quero dedicar a minha formação profissional?

Com certeza o tempo que queremos destinar a nossa preparação acadêmica vai ser um componente essencial na decisão que tomarmos. Como mencionávamos, o tempo de duração varia conforme os tipos de formação existentes: carreiras técnicas, carreiras tecnológicas, licenciaturas e bacharelados.
Devemos definir se estamos inclinados a gastar menos tempo estudando porque queremos nos enfocar principalmente em trabalhar ou em ter mais tempo livre ou se pelo contrário, buscamos um estudo que contenha muitas horas de dedicação porque nos apaixona a aprendizagem que será adquirida durante esse período.
Nenhuma das duas escolhas está errada, ambas vão favorecer nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Pessoal já que estaremos fazendo o que nos faz sentir bem de acordo com a nossa vontade. Profissional porque no futuro, o entorno laboral no qual vamos nos desempenhar, como vamos avançar nele e a autorrealização que vamos atingir, será o reflexo da nossa decisão e de como vamos afrontá-la no transcurso da vida.


Gostaria de me formar no que meus pais, familiares ou amigos estudaram.

Em algumas ocasiões, as profissões dos nossos pais, irmãos, núcleo familiar e amigos, influi no que pensamos que é nossa verdadeira vocação. Apesar disso, não é sempre assim.
Se partirmos do principio de que temos que seguir os passos dos demais por sua vida profissional exitosa, porque parecem pessoas apaixonadas pelo que fazem e satisfeitas com o trabalho que desempenham; deixando de lado nosso conhecimento, interesses, gostos, talentos, habilidades e aptidões, não estamos indo pelo caminho correto. Outro erro comum é optar por áreas que estão na moda, só porque são estudadas por famosos e porque são divulgadas em diversos meios de comunicação e redes sociais.
Apesar da assessoria brindada por pessoas do nosso entorno e próximas a ele sobre suas próprias experiências acadêmicas, ao longo de suas trajetórias profissionais, desde o que estudaram ou estudam até sua ocupação atual, ser um enorme marco de referência e guia para nós, esmo assim devemos investigar se o que para estas pessoas parece apaixonante ou as experiências negativas que tiveram são o espelho do que aconteceria com a gente se escolhêssemos a mesma profissão.
Investigar, indagar, averiguar, explorar é nossa maior tarefa.



O aspecto econômico me interessa mais que minha vocação
.

Se este é o caso, então estamos indo pelo caminho incorreto. É verdade, o aspecto econômico é uma variável que deve ser considerada, mas não é a mais importante. Se optarmos por uma profissão que por seu campo de ação traga altos ingressos, mas seu conteúdo não é interessante, e não se adapta aos nossos interesses, não estaremos tomando uma decisão acertada.
Existem profissões com menor saída laboral que outras, apesar disso e se consideramos nossas habilidades, é mais provável que no futuro conseguiremos tirar um grande da nossa escolha; estaremos agrupando o que somos, o que queremos ser e onde queremos chegar. Com a ampla oferta acadêmica atual, encontraremos carreiras com temáticas que se ajustam aos nossos desejos profissionais.
O Dr. Rick Sommer, diretor executivo dos programas acadêmicos da universidade de Stanford University dos Estados Unidos, manifestou que os estudantes que realmente buscam um desafio, conseguem desenvolver seus talentos ao máximo. Assim são as coisas, se nos desafiamos e encontramos uma formação da qual gostamos, conseguiremos alcançar mais facilmente nossas metas e objetivos.
Vale lembrar! A área e o nível de estudo que escolhermos vão refletir no crescimento e progresso que atingiremos ao longo da nossa trajetória profissional. A motivação para triunfar será o que nos apaixone, nos mobilize e impulse a ser melhores a cada dia,  e nos permita demonstrar em qualquer espaço, nossa capacidade de adaptação e compromisso em qualquer ocupação na qual nos dediquemos.

Keli Campos

Responsable de Contenidos en Educaedu 
Por Educaedu

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Por que especialistas em saúde defendem aulas só às 8h30

Para eles, aulas de crianças e os adolescentes deveriam começar bem mais tarde - por causa do relógio biológico especial dessa fase da vida.

 

 

Durante o Congresso Brasileiro de Sono, ocorrido em Joinville (SC) neste mês, foi distribuído um manifesto que propõe mudar o horário que a molecada vai para a escola. No documento, criado por pesquisadores da área e endossado pela Associação Brasileira do Sono, a sugestão é que estudantes do sétimo ao nono ano do Ensino Fundamental e dos três anos do Ensino Médio (ou seja, adolescentes de 13 a 17 anos) tenham aulas a partir das 8h30.
“O objetivo é garantir um mínimo de quantidade e qualidade de sono e, assim, um bom processo de aprendizagem”, conta o neurocientista John Fontenele Araújo, professor do Laboratório de Neurobiologia e Ritmicidade Biológica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
No documento, é reforçado que, além de estar associada a diversos problemas de saúde, a restrição de sono interfere pra valer no desempenho acadêmico. Ora, quem não dorme direito enfrenta dificuldades na hora de prestar atenção. E, depois da aprendizagem, há prejuízos para consolidar as informações recebidas.
Adolescente é um bicho diferente
Daí você pode pensar: “Mas basta o adolescente dormir mais cedo”. Só que a história não é tão simples assim.
Os pesquisadores informam que, nos últimos tempos, foi possível compreender melhor as alterações que ocorrem no organismo durante os ciclos de sono e vigília. E a entrada na puberdade estaria associada a um atraso natural na hora de dormir e despertar – ou seja, é até natural que os jovens passem a fechar os olhos um pouco mais tarde do que antes.
Sem contar, claro, as diferenças individuais em relação às necessidades de sono. Dependendo dos genes herdados, um adolescente pode naturalmente adormecer mais tarde ou precisar de mais horas de sono para acordar com energia.
De acordo com o manifesto, a ideia é gerar uma discussão com a comunidade, já que iniciar as aulas às 8h30 também mexeria com a rotina de familiares, professores e por aí vai. “Todavia, não podemos negar que esse problema existe. E, como uma sociedade científica, a Associação Brasileira de Sono está trazendo o alerta e colocando à disposição seu corpo de associados altamente qualificado, particularmente os pesquisadores da área, para dar o suporte necessário a essas ações”, escrevem os cientistas.
Este conteúdo foi publicado originalmente em Saúde
 Por Thaís Manarini, de Saúde/Superinteressante


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Uma Nova Questão Social



          Como objeto de trabalho do Serviço Social, a questão social tem sido estudada, pesquisada e tratada como a causa de grande parte dos problemas da sociedade.
        Até certo ponto as teorias vinham fazendo sentido e a Constituição Cidadã com sua ousada carta de direitos traria novas possibilidades àqueles excluídos e marginalizados pelo capitalismo.  Contudo, a carta de direitos fez com que os deveres escoassem rio abaixo. A noção de deveres foi completamente esquecida, dando lugar a pregação de que as pessoas deveriam  se organizar em grupos, criando um antagonismo crescente entre pessoas de raças diferentes, de orientação sexual diferente, ou o que mais fosse pensado, criando políticas públicas para cada demanda que caracterizasse alguma diferença. Tudo em nome da diversidade.
       A partir de então, tudo é questionado. Ninguém falava de deveres...Se pararmos para pensar, há quase 30 anos não se fala em deveres nesse país...E aqui estamos nós...
O que se ouve é: "A exclusão social justifica o crime"; "A irresponsabilidade do "cidadão"(com direitos e sem deveres) é justificada porque a nação não lhe deu os meios para uma vida digna". Ninguém assume seus atos.
      Então faço a pergunta que não quer calar: Por que os bem nascidos políticos brasileiros são também criminosos? Qual a questão social? O que justifica os desmandos criminosos que assistimos estarrecidos diuturnamente, com danos incalculáveis para a população?
      O momento clama por discernimento. A crise é fato, os cidadãos que cumpriram devidamente seus deveres, também estão perdendo  direitos. Estamos todos perdendo, independente da motivação de cada um. Passou da hora de acordar e perceber que somos responsáveis pelos nossos atos e não o outro. Não é exclusão social que cria o bandido, é a decisão pessoal, e isso nos prova os nossos deploráveis representantes políticos. Não foi para comprar alimento, pagar estudo ou ter uma vida digna que eles se organizaram em quadrilhas para quebrar o país. Trata-se de crescer e responder pelas nossas escolhas. Chega de justificativas fantasiosas para dourar a pílula. O remédio  amargo, mas eficaz, será aquele que resgatar a noção exata de cidadania com direitos, deveres e responsabilidades assumidas.
     Muita coisa passa em nossas cabeças quando nos debruçamos sobre essas questões, contudo, analisando friamente todo esse percurso cheio de teorias revolucionárias que nos trouxeram ao contexto atual, entendo que precisamos novamente pensar o país na perspectiva de  Ordem e Progresso. Ou isso, ou o tormento venezuelano será realidade para nós também.
Aparecida Cunha

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A dança dos contrários

              Assistimos a cada dia a polarização da sociedade brasileira de forma cada vez mais acirrada e agressiva. A princípio tratava-se de questões político partidárias, o que tornava possível manter-se razoavelmente a distância desde que não existisse interesse pessoal em jogo. Entretanto, a situação foi se complicando de tal forma, que questões muito mais profundas e delicadas foram invadindo o cenário e descortinando situações que atacam valores inestimáveis; o que torna impossível não escolher um lado nessa dança dos contrários.
             O que está acontecendo afinal? Por que essa loucura com nossas crianças? Por que a censura só vale para atender determinados interesses? O que se entende por democracia? Por que as pessoas que clamam por socialismo deleitam-se com os mimos do capitalismo? Por que algumas pessoas sérias permanecem na defesa do indefensável, como se estivéssemos apenas brincando de cabo de guerra, sem considerar a gravidade da situação atual?
          É fato que estamos todos dançando feio nessa competição desenfreada, e nesse ritmo alucinado certamente tontos com a velocidade dos fatos e a agressividade dos sons, nos excedemos em nossos comentários, nas nossas ações e, sobretudo, esquecemos que não se trata de uma competição qualquer. É muito mais profundo e duradouro que uma mera dança, trata-se do que somos e em que acreditamos, que país queremos para os nossos descendentes…Precisamos agir como adultos, deixar a inconsequência da competição sem propósitos e pensar na escolha que precisamos fazer nesse momento grave.
        Por essa razão, embora lamente termos chegado a esse ponto, eu, que já acreditei e me emocionei com a ideologia de esquerda, mudei de lado. Escolho repensar o modelo de país que temos; escolho pensar por mim mesma, sem as amarras de emissoras, partidos ou profissões; escolho um olhar crítico, sem enaltecer personalidades específicas, lembrando que ninguém está acima do bem e do mal, portanto é preciso discernimento e visão crítica. Sempre poderei mudar de opinião porque não sou refém de partido ou ideologia alguma, sou humana e naturalmente posso errar nas minhas escolhas, repensar e mudar de postura. Mas nesse momento, escolho a direita, porque perdemos o rumo, perdemos o ritmo, e o que ouvimos são gritos tortuosos e ranger de dentes. Só há um meio de retomar o equilíbrio, escolher um lado e manter-se firme e coerente nessa escolha. Não por interesses pessoais, birra ou comodismo, mas pelo reconhecimento de que o país é o palco e ele está ruindo sob nossos pés.
Aparecida Cunha


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Irmãos distribuem livros em escolas e comunidades pobres do país

“É gratificante poder dividir a minha paixão pela leitura.” Maria Caltabiano, ao lado do irmão Mateus (Leo Martins/Veja SP)
Quando eram crianças, o estudante de engenharia Mateus Foz Caltabiano, de 19 anos, e sua irmã, Maria, 17, costumavam doar roupas e brinquedos a pessoas carentes, incentivados pelos pais. Em 2013, tiveram uma ideia diferente: arrecadar livros com amigos e conhecidos. A ação foi um sucesso. “Conseguimos 5 000 exemplares, que abarrotaram uma sala inteira de nossa casa”, conta o garoto.
Para fazer a distribuição, os dois embarcaram, com a família, para o Maranhão. “Elegemos esse destino porque é o estado com um dos menores índices de desenvolvimento humano do país”, explica o rapaz. Eles pagaram a viagem com recursos próprios. Foram 37 dias de expedição, passando por comunidades quilombolas, aldeias indígenas e regiões ribeirinhas.
Encantados com a experiência, os irmãos decidiram criar, em 2014, a lêComigo, organização sem fins lucrativos que fornece livros a bairros pobres e escolas públicas pelo Brasil. Boa parte das obras é arrecadada em eventos promovidos pela Organização da Sociedade Civil (OSC).

Em quase três anos de trabalho, foram distribuídos 18 000 títulos infanto-juvenis em estados como Amazonas e Tocantins. Cada local recebe um kit com cerca de 170 exemplares. A dupla faz a entrega pessoalmente, em geral durante as férias escolares, e paga do próprio bolso as despesas, incluindo transporte e estada. O valor pode chegar a 3 000 reais para cada um, dependendo da cidade escolhida.
“Nossa biblioteca era muito pobre”, conta Sheila Ferraz, 37, supervisora pedagógica de uma escola de Jacinto, em Minas Gerais. “Quando os alunos receberam o presente, foi uma festa.” Em São Paulo, dezenas de instituições estaduais de ensino, em bairros como penha, na Zona leste, e Capão Redondo, na Zona sul, já foram contempladas.
Agora, os jovens planejam obter patrocinadores para ampliar o número de pessoas atendidas. “Sempre fui apaixonada pela leitura, e é gratificante poder dividir isso com quem tem menos recursos”, afirma Maria. “Essa trajetória me deixou muito mais comprometido com o meu país”, completa Mateus.
Por  Sara Ferrari, na Veja SP/livros e pessoas