segunda-feira, 31 de julho de 2017

Como o teste de QI foi criado? Ele ainda faz sentido hoje em dia?

A evolução dos testes reflete como a noção de inteligência mudou ao longo dos tempos. Confira argumentos a favor e contra o uso do QI

A criação do mais famoso teste para medir o potencial de inteligência de um ser humano foi um longo processo, que se iniciou no começo do século 20. Confira os principais momentos a seguir e, logo abaixo, a polêmica atual: o teste de QI ainda faz sentido? Ouvimos os especialistas para listar quatro argumentos a favor e quatro contra.
 
(Imagens de Bruno Miranda/Mundo Estranho)
1905-1911: A LARGADA
O psicólogo francês Alfred Binet, em parceria com o colega Théodore Simon, é um dos pioneiros na aferição técnica da inteligência. Seu teste para avaliar crianças com atraso mental, a partir da medição de habilidades como compreensão, razão e julgamento, serviu de base para o teste de inteligência mais comum hoje em dia, o Stanford-Binet.

 
1916: O MAIS POPULARO psicólogo Lewis Terman, da Universidade Stanford (EUA), adaptou o teste francês, rebatizado como Stanford-Binet. Avaliando aritmética, memorização e vocabulário, o exame foi o primeiro a classificar as pessoas por um QI (quociente de inteligência), agrupando-as em diferentes patamares de capacidade.
1927: PONTO G
O inglês Charles Spearman propõe o fator de inteligência geral (“g”), uma variável que relaciona as diferentes habilidades cognitivas de um indivíduo. Segundo ele, o “g” explicaria até 50% da inteligência nas medições, mas críticos acreditam que Spearman desvaloriza outras aptidões importantes.

 
1949-1955: PARA TODAS AS IDADES
O norte-americano David Wechsler, que havia rejeitado o conceito de “idade mental”, publica suas escalas de inteligência para crianças e adultos, com avaliações verbais de desempenho em áreas como compreensão verbal e espacial, memória e velocidade de processamento.

 
1983: ADAPTÁVEL… OU VAGO DEMAIS?Kaufman Battery for Children contém 20 subtestes que avaliam processamento sequencial e simultâneo, planejamento, aprendizado e conhecimento. Como é baseado em dois modelos teóricos, sua interpretação varia de acordo com a cultura e as habilidades verbais do examinado.
1983: UMA É POUCO
No livro Frames of Mind, o psicólogo norte-americano Howard Gardner oferece pela primeira vez a Teoria das Inteligências Múltiplas, segundo a qual temos o potencial para desenvolver combinações de oito inteligências distintas. A ideia ganha popularidade ao longo das décadas seguintes.

 
2011: FLUTUANTE
Estudos da University College London e do Centre for Educational Neuroscience, na Inglaterra, envolvendo ressonância magnética do cérebro de jovens, mostraram que o QI pode aumentar ou diminuir na adolescência.A descoberta derruba a percepção de que a habilidade intelectual é um limite fixo e imutável.

 Por Julia Moióli/Mundo Estranho

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Professor da Escola de Medicina defende os livros como remédio para a ansiedade e diversos males

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No Laboratório de Leitura montado na Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo que Dante Gallian pôde perceber como a literatura impactava os leitores de forma afetiva e reflexiva, influenciando diretamente em suas vidas. “Como estávamos num ambiente acadêmico, começamos a abordar essa experiência como um objeto de estudo. Fomos constituindo uma linha de pesquisa que hoje congrega dezenas de pesquisadores e que apresenta uma grande produção científica com alta qualidade. Hoje, temos pesquisado os efeitos da aplicação do Laboratório não só no campo da saúde – na formação ética e na humanização dos futuros profissionais; como meio recuperação de pacientes psicóticos… –, mas também no âmbito das grandes corporações e setores específicos da sociedade, como grupos da terceira idade”, conta.
Dante é formado em História pela USP, onde fez seu mestrado e doutorado. Seu pós-doutorado veio pela École des Hautes Études em Sciences Sociales, de Paris, e desde 1999 é professor e diretor do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da EPM. Grande entusiasta da leitura – acredita que ler é um ato revolucionário -, teve sua vida impactada por clássicos como “A Odisseia”, de Homero; “A Divina Comédia”, de Dante; “Dom Quixote”, de Cervantes; “Hamlet”, de Shakespeare; “Os Irmãos Karamázov”, de Dostoiévski e “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa.
Por ter aprimorado sua experiência de “ser e estar no mundo” graças aos livros que enveredou suas pesquisas para essa área. Os estudos resultaram em “A Literatura Como Remédio – Os Clássicos e a Saúde da Alma”, obra lançada há pouco pela Martin Claret, na qual fala sobre os resultados alcançados no Laboratório de Leitura. “Ali, a leitura compartilhada tem se apresentado como um elemento coadjuvante de grande poder em pacientes psicóticos ou como meio de combate à depressão em pacientes da terceira idade. Sendo um remédio que afeta primordialmente a alma, a psique, a literatura ajuda a reverter e mesmo a curar enfermidades de origem psíquica e emocional, que são as mais prevalentes no mundo atual”, diz na entrevista abaixo.
Dentre os problemas que um bom livro pode combater, Dante aponta principalmente para um que define como “predominante e crônico em nossos dias”: a ansiedade, algo diretamente relacionado à constante pressa a qual quase todos parecem estar submetidos. “Vivemos um tempo em que tendemos a privilegiar tudo o que é imediato e circunstancial e a desprezar tudo o que é permanente e essencial. Vemo-nos, cada vez mais, transformados em máquinas de produção e consumo e isso nos desumaniza e nos faz doentes. Estamos sempre extremamente ocupados, mergulhados numa dinâmica operacional de resolução de problemas e realização de tarefas, esquecendo de amar, de olhar, de contemplar o mundo, a vida, as pessoas que nos cercam”.
Quais são as principais doenças e males contemporâneos que a literatura pode ajudar a combater? Como?
Minha experiência pessoal e de pesquisa aponta que a literatura pode ajudar a combater inúmeros males, porém creio que o principal é justamente aquele que se apresenta como predominante e crônico em nossos dias: a ansiedade. Ao nos “sequestrar”, através de uma narrativa envolvente e uma trama interessante, a literatura tem o poder de nos lançar numa outra espacialidade e temporalidade.
Enquanto estamos lendo, nos esquecemos, por um tempo, dos nossos problemas, das premências que muitas vezes nos oprimem. Esta “fuga” da realidade apresenta-se como algo desestressante e terapêutico, porque libertador. Ao fecharmos o livro, percebemos que os nossos problemas e premências continuam lá, porém nós não somos mais os mesmos. A leitura não apenas nos levou a uma outra dimensão de espaço e tempo, mas também contribuiu para olharmos a nossa realidade a partir de uma outra perspectiva.
A experiência da leitura, ainda mais quando dinamizada e potencializada pela dinâmica do Laboratório de Leitura, pode nos ensinar a olhar e interpretar a vida de uma forma nova, mais ampla, profunda, ajudando a relativizar certas visões e pontos de vista por demais obtusos e pessimistas. Assim, ao mesmo tempo em que nos permite “escapar” por um tempo das situações que são fonte de ansiedade, a literatura nos permite voltar a estas mesmas situações mais ricos e fortalecidos, prontos para enfrentá-las com um novo espírito e um novo olhar.
A literatura pode, de alguma forma, ajudar diretamente na cura ou tratamento de doenças extremas, como o câncer ou o Alzheimer?
Apesar de não me dedicar a pesquisas assim tão direcionadas, é possível dizer que muitos pesquisadores têm demonstrado, por exemplo, quanto a leitura de obras clássicas da literatura podem interferir na dinamização de ligações e processos neurais importantes, impactando positivamente em tratamentos de doenças degenerativas como o Alzheimer. Mais concretamente, posso afirmar que não apenas a leitura, mas a leitura compartilhada no âmbito do Laboratório de Leitura, tem se apresentado como um elemento coadjuvante de grande poder em pacientes psicóticos ou como meio de combate à depressão em pacientes da terceira idade. Sendo um remédio que afeta primordialmente a alma, a psique, a literatura ajuda a reverter e mesmo a curar enfermidades de origem psíquica e emocional, que são as mais prevalentes no mundo atual.
Quais livros e autores você destaca pelo poder de cura que possuem?
Creio que praticamente todos os grandes clássicos e os grandes autores têm um poder terapêutico incomensurável, desde que bem trabalhados e administrados. Baseando-me, entretanto, em algumas experiências, destacaria, por exemplo, Miguel de Cervantes, que através do seu Dom Quixote nos ajuda a relativizar a rígida polarização que a Modernidade criou entre “realidade” e “ficção”; Shakespeare, que através de suas tragédias nos possibilita fazer um mergulho no mais profundo das nossas motivações e paixões; e Dostoiévski, que através de personagens como o Príncipe Mitchikin, do romance “O Idiota”, ou dos filhos de Fiodor Karamázov, de “Irmãos Karamázov”, nos permite encontrar a esperança na experiência mais profunda do desespero.
A experiência do Laboratório de Leitura tem me ajudado a elaborar uma verdadeira farmacopeia literária, que pretendo explorar cada vez mais, tanto no mundo acadêmico quanto no mundo corporativo e também na sociedade como um todo. Todos estamos muito necessitados desse remédio.
Você escreve no livro que ler é um ato revolucionário. Por quê?
Parafraseando Blaise Pascal [filósofo francês], a leitura é uma diversio conversio; ou seja, algo que nos possibilita sair de nós mesmos – o que é próprio da diversão – e, ao mesmo tempo, algo que, quase sem percebermos, nos lança dentro de nós mesmo – o que é próprio da conversão, no sentido filosófico e psicológico do termo. A literatura converte divertindo e este é um autêntico movimento revolucionário, na medida em que gera uma circularidade existencial extremamente propulsiva, transformadora. Percebemos em nossas pesquisas que a dinâmica do Laboratório de Leitura potencializa essa virtude revolucionária que literatura tem per si.
Ao longo de “A Literatura Como Remédio” você joga com a questão do “leitor extremamente ocupado”. Hoje, muitas pessoas dizem não ler porque estão, justamente, extremamente ocupadas. Qual o remédio que você recomenda para esses que não têm tempo para nada?
Em meu livro cito um autor francês, Daniel Pennac, que num ensaio genial intitulado “Como um Romance” afirma que “o tempo para ler é como o tempo para amar: é sempre um tempo roubado”. Vivemos um tempo em que tendemos a privilegiar tudo o que é imediato e circunstancial e a desprezar tudo o que é permanente e essencial. Vemo-nos, cada vez mais, transformados em máquinas de produção e consumo e isso nos desumaniza e nos faz doentes. Estamos sempre extremamente ocupados, mergulhados numa dinâmica operacional de resolução de problemas e realização de tarefas, esquecendo de amar, de olhar, de contemplar o mundo, a vida, as pessoas que nos cercam. A leitura de um bom livro pode ser uma fuga, um antídoto frente a esta dinâmica desumana e patológica em que vivemos.
O remédio é realmente “roubar”; roubar tempo que talvez dediquemos de forma exagerada às redes sociais, à televisão e a outras atividades que ocupam nosso tempo de ócio com sempre mais do mesmo. Ao nos darmos a oportunidade de fazer a experiência da leitura dos clássicos encontraremos algo tão bom e tão libertador que, em breve, descobriremos tempo e meios inéditos de nos dedicarmos a esta atividade “subversiva”, tal como os amantes que inventam mil jeitos e oportunidades para estarem juntos. Desde que eu me apaixonei pela literatura encontrei meios novos e criativos para me dedicar à leitura; todos os dias. Leio nos intervalos “mortos”, na fila do banco e até enquanto caminho para o trabalho…
Dica da Sonia Junqueira
Por Rodrigo Casarin, no Página Cinco/Livros e Pessoas


sexta-feira, 21 de julho de 2017

A montanha-russa dos idiomas

A diferença entre estrangeirismos e empréstimos linguísticos revela a qualidade das relações com outros povos
estrangeirismos
Foto: Pixabay

Há duas forças na língua que, segundo Saussure, se opõem simultaneamente: o espírito de campanário (esprit de clocher) e o espírito de intercurso. O primeiro visa a assegurar a estabilidade da língua diante de influências estrangeiras; o segundo opera de forma a permitir a entrada na língua de empréstimos e estrangeirismos.
O empréstimo é uma forma ou expressão linguística que uma língua aceita e adota de outra. O que distingue o empréstimo do estrangeirismo é que este ainda não se integrou à língua, enquanto aquele já é do domínio de seus usuários. Assim, palavras como “habitat” (latim), “menu” (francês), “flashback” (inglês) e “blitz” (alemão) são estrangeirismos. Mas termos como “balé” (fr. ballet), “chofer” (fr. chauffeur), “futebol” (ing. foot-ball), “chutar” (ing. shoot) são empréstimos, porque já estão incorporados à língua, com roupagem vernácula integral.
O empréstimo po­de ser externo, quando proveniente de outra língua (como “mantilha”, de origem castelhana), ou interno, quando proveniente de um dialeto, de um registro ou de um falar típico dentro da mesma língua (como “mixar” ou “mixaria”, da gíria dos ladrões; ou “boia”, comida na gíria militar).
Nem sempre o estrangeirismo adotado numa língua tem o mesmo sentido na língua de origem. Assim, a expressão “outdoor”, usada por falantes do português para designar o quadro em que se fazem anúncios em via pública, não tem esse sentido em inglês, em que outdoor significa “ao ar livre”. O que nós denominamos “out-door” chama-se em inglês billboard.
O francês rendez-vous significa “encontro”, sem a conotação pejorativa de seu uso em português.
A expressão bi Gott (“por Deus”) do médio alto-alemão, usada como invocação para reforçar uma afirmativa, no século 15, entrou na língua francesa como “bigot”, com o sentido de “carola”, pessoa muito devota.

O termo alemão Blitz, que como “blitz” usamos para designar uma batida policial feita de surpresa, se origina da expressão Blitzkrieg (guerra- -relâmpago), que designava os ataques rápidos e inesperados dos alemães na II Guerra, mas, na língua de origem, Blitz significa relâmpago, e não batida policial.
Decalque 
O empréstimo, muitas vezes, faz “turismo”: passa de uma língua A para uma língua B e volta à língua A com modificações. O português “feitiço” deu origem ao francês fetiche, que voltou ao português com outro sentido. O substantivo boeuf, que em francês significa “boi”, foi emprestado ao inglês, que o adotou como beef na palavra beefsteak (fatia de boi), que voltou ao francês como bifteck (em português, “bife”).

Um tipo especial de empréstimo é o decalque, termo com que se designa a tradução literal, na língua A, de uma palavra ou expressão de uma língua B, às vezes com a subversão do significado tradicional na língua A dos elementos que constituem a tradução. Por exemplo, “cachorro-quente” é decalque do inglês hot dog; “salvar”, com o sentido de “guardar num arquivo do computador”, é decalque do inglês save; “realizar”, com o sentido de “entender, perceber”, é decalque do inglês realize.
A utilização de “gênero” como sinônimo de “sexo” é decalque do inglês gender, numa confusão condenável, porque “gênero” nunca existiu em português como sinônimo de sexo (sexo é distinção semântica, e gênero é distinção gramatical, isto é, uma palavra sempre do gênero feminino, como “criança”, por exemplo, pode designar pessoa do sexo masculino; e vice-versa: uma palavra do gênero masculino, como “mulherão”, designa pessoa do sexo feminino).
Equívoco
A expressão “luta de classes”, que designa, no marxismo, o conflito entre classes sociais ou entre o proletariado e a burguesia, é um decalque do alemão Klassenkampf. Outros decalques: “quebra-luz” (do fr. abat-jour), “arranha-céu” (do ing. sky-scraper), “balípodo” ou “ludopédio” (neologismos de Castro Lopes para substituir o ing. foot-ball), “autoestrada” (do fr. auto-route) etc.

Às vezes o decalque nasce de uma tradução inadequada. Na expressão Rutschbahn ou Rutschberg, que significa montanha (Berg) de escorregamento (Rutsch), uma atração alemã em parque de diversões, o nome Rutsch foi indevidamente traduzido para o francês como se fosse o adjetivo russe, e a atração ficou conhecida como montagne russe (montanha-russa).
Futebol
Um estrangeirismo de uso no Brasil, apenas parcialmente adaptado ao vernáculo, é a palavra “gol”. Alguns gramáticos e o dicionário Houaiss, equivocadamente, postularam a existência de um plural “gois”, apenas virtual e hipotético. Na verdade, “gol” é apenas a adaptação gráfica do inglês goal, já que todas as palavras oxítonas terminadas em -ol, em português, têm a vogal tônica aberta (lençol, terçol, futebol, etc.); se “gol” mantém a vogal fechada é porque não é palavra portuguesa, e o plural “gols” é legitimado.

Neologismo é uma palavra inventada (ou com sentido novo). Os campeões de neologismos no Brasil são Castro Lopes e Oduvaldo Cozzi. Poucos neologismos de Lopes conseguiram alguma aceitação, como “protofonia” (ouverture) ou “convescote” (piquenique). A maioria foi rejeitada: cinesíforo (chofer), festimana (matinée), demostasia / operinsurreição (greve), ludâmbulo (turista), lucivelo (abajur), etc. Mas, no futebol, Cozzi foi mais feliz com seus neologismos: escanteio (corner), zagueiro (back), impedimento (off side), falta (foul), penalidade máxima (penalty). Pena que “tento” (goal) e “arqueiro” (goalkeeper) tenham tido pouca aceitação.
 
 
 
 

5 mitos sobre o cérebro em que até neurocientistas acreditam

Crianças não ficam agitadas depois de comer muito doce, seu lado direito do cérebro não te deixa mais criativo. Mas até especialistas caem nessas pegadinhas

Os mitos sobre o cérebro estão tão intrincados na nossa mente e no senso comum que, até para quem passa anos estudando neurociência, pode ser difícil desmarcará-los. Afinal, mitos tendem a ser empolgantes: quantas séries e filmes são baseados na premissa de que só usamos 10% do nosso cérebro?Para entender o quanto os mitos sobre o cérebro estão espalhados na população, um grupo de pesquisadores da Universidade de Houston recrutou participantes no site Testmybrain.org, que hospeda uma série de testes divertidos que também ajudam em pesquisas científicas oficiais. A enquete que eles publicaram foi respondida por mais de 3,8 mil pessoas. Delas, 598 eram professores e 234 neurocientistas treinados.
A enquete incluía 32 frases sobre o cérebro. Quatorze delas eram verdadeiras, enquanto outras 18 eram mitos, inclusive o famoso “Só usamos 10% do cérebro” (que já explicamos aqui antes). É claro que a maioria dos especialistas e professores acreditam menos nas informações falsas do que o público em geral. Mesmo assim, cinco deles eram defendidos por uma porcentagem surpreendente de neurocientistas.
Mito #1: Ensino adaptado a estilos de aprendizado
Você já deve ter ouvido falar que algumas pessoas são mais visuais, outras mais auditivas.
E que, portanto, elas aprendem mais e melhor quando são ensinadas de acordo com seu estilo de aprendizado. Ainda que a preocupação dos professores com as características individuais de cada aluno seja benéfica, estudos científicos mostram que estilos de aprendizado não fazem essa diferença toda. Uma das pesquisas mais relevantes sobre o tema chegou à conclusão de que não, crianças não aprendem melhor quando o professor adapta seu estilo ao delas, pelo menos na sala de aula. Os cientistas indicam que, na verdade, o estilo depende mais do tema que está sendo ensinado do que da preferência do aluno (ou seja, mesmo alunos mais auditivos aprendem melhor geometria com aulas focadas em recursos visuais).
Público em geral: 93% acredita neste mito
Professores: 76% acredita neste mito
Neurocientistas: 78% acredita neste mito

Mito #2: Inverter letras é sinal de dislexia
Confundir a ordem das letras ou ler d ao invés de são propagandeados como os grandes “sintomas” da dislexia. Mas isso simplesmente não é verdade. Disléxicos tem dificuldades em processar linguagem escrita. Isso significa, sim, que eles cometem mais erros lendo em voz alta e identificando palavras. Eventualmente, vão inverter letras, mas isso é só uma mínuscula parte de todos os erros de português que eles cometem.
Sabe quem inverte muito as letras? Crianças com menos de 6 anos. Mas, até aí, elas também cometem milhares de outros erros. Isso não quer dizer que elas “enxergam” as letras invertidas. Só que ainda têm dificuldades de processar a escrita – assim pessoas como dislexia. Ninguém sabe exatamente qual é a raiz dessa dificuldade, mas não tem nada a ver com enxergar espelhado. A causa mais provável é a dificuldade de processar fonemas, as pequenas unidades que formam as palavras e seus sons, quando estão escritos. Se elas confundem letras, nesse caso, é porque não estão certas de que “som” um fonema escrito deveria produzir.
Público em geral: 76% acredita neste mito
Professores: 59% acredita neste mito
Neurocientistas: 50% acredita neste mito

Mito #3: Ouvir música clássica aumenta capacidade cerebral em crianças
Conhecido como Efeito Mozart, é a ideia de que um bebê exposto às obras dos gênios da música clássica teriam seu desenvolvimento cognitivo turbinado. Mas, como já explicamos aqui na SUPER, isso é balela. O estudo que investigou isso não conseguiu explicar os resultados e novas tentativas de reproduzí-lo deram errado. Ou seja: desencane do CD de Mozart, a menos que seu bebê pareça gostar… Todo mundo merece se divertir, afinal.
Público em geral: 59% acredita neste mito
Professores: 55% acredita neste mito
Neurocientistas: 43% acredita neste mito

Mito #4: Crianças ficam agitadas depois de consumir muito açúcar
Sugar high: a ideia de que exagerar na sobremesa vai deixar seu filho doidão, agitado, incontrolável. Para testar essa ideia, um estudo reuniu mães que diziam que os filhos  de 5 a 7 anos eram “sensíveis” ao açúcar. Para metade do grupo, deram doce. Para outra metade, deram um placebo – mas não contaram para a mãe. As crianças não tiveram comportamentos diferentes, mas as mães do grupo placebo tinham mais chance de brigar com os filhos por qualquer coisa e classificá-los como “hiperativos” depois do lanche. Então porque as crianças ficam agitadíssimas depois de um bolo de aniversário ou do Halloween? Porque elas gostam de festa, apenas.
Público em geral: 59% acredita neste mito
Professores: 50% acredita neste mito
Neurocientistas: 39% acredita neste mito

Mito #5: O lado dominante do cérebro afeta sua personalidade
Seu cérebro é destro ou canhoto? Os hemisférios cerebrais já foram usados para justificar porque algumas pessoas são mais criativas e outras mais racionais (e também para comercializar a ideia de que dá para aprender a usar mais o seu lado do cérebro mais “atrofiado”). Não é bem por aí: na maior parte das suas atividades, seja para um lado mais criativo ou mais racional, seu cérebro coordena áreas e funções de ambos os lados do cérebro. Essa coordenação é misteriosa, mas ajuda a explicar porque nosso cérebro é uma máquina tão produtiva e poderosa.
Público em geral: 64% acredita neste mito
Professores: 49% acredita neste mito
Neurocientistas: 32% acredita neste mito

Mais ou menos nessa linha vai a ideia de que usamos só parte do cérebro quando, na realidade, estamos coordenando e acionando diferentes áreas do cérebro o tempo inteiro. Não há parte dele que fique intocado durante a árdua rotina de ser um ser pensante. E, falando em ser pensante, felizmente 86% dos neurocientistas não acreditam nesse último mito. Mas os demais 14% certamente precisam usar melhor o próprio cérebro…
Por Ana Carolina Leonardi/Superinteressante




segunda-feira, 17 de julho de 2017

Menino de 6 anos homenageia garis em festa de aniversário em Natal

Mateus é fã dos trabalhadores que passam na coleta de lixo na sua rua

A festa de aniversário de 6 anos de Mateus Moura Bentes, ocorrida neste final de semana em Cidade Satélite, zona Sul, chamou atenção por um detalhe inusitado, o tema da festa escolhido pelo aniversariante foi em homenagem aos garis.
Os pais de Mateus embarcaram na ideia e providenciaram a decoração com as cores e uniformes dos garis.  Mateus admira os trabalhadores que passam na coleta de lixo na sua rua e sonhava em fazer uma festa homenageado esses trabalhadores.
Mateus conheceu rotina dos garis e andou no caminhão (Foto: Cedida)
No dia da festa mais uma surpresa. Os pais de Mateus convidaram os garis que foram devidamente uniformizados comemorar com o garoto, que ainda tirou fotos e deu uma volta no caminhão, completando a sua alegria.
Por Júlio Rocha/Portal no Ar


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Professor de Harvard cria site com palestras de Filosofia


Essa é para quem gosta/trabalha/pesquisa/estuda filosofia, principalmente filosofia política.
O professor de filosofia política Michael Sandel da Universidade de Harvard fez um site onde ele disponibiliza gratuitamente suas palestras sobre justiça, igualdade, democracia e cidadania.
Na verdade, é um curso completo, dividido em 12 vídeo-aulas gravadas na própria universidade em um auditório repleto de estudantes que participam ativamente de discussões que envolvem dilemas morais e convida a todos a pararem para pensar na coisa certa a fazer, tanto na política quanto no seu dia a dia.
As palestras são dinâmicas e levantam todo tipo de questão acerca de filosofia antiga e moderna, sempre questionando e discutindo temas atuais.
Michael Sandel é considerado um dos professores americanos mais proeminentes da atualidade. Ele resolveu dar essas palestras depois do sucesso do livro de sua autoria “Justice: What’s the Right Thing to Do” (Justiça: Qual a Coisa certa a Fazer, em tradução livre) que se tornou best-seller nos Estados Unidos, relacionando questões da filosofia política com os assuntos mais inquietantes do nosso tempo.
Conteúdo das palestras
  • Episódio 01 – “O Lado Moral do Assassinato” e “O Caso do Canibalismo”.
  • Episódio 02 – “Colocando Etiqueta de Preço na Vida” e “Como Medir o Prazer”.
  • Episódio 03 – “Liberdade de Escolha” e “Quem me Detém?”
  • Episódio 04 – “Esta terra é minha terra” e “Adultos que Consentem”.
  • Episódio 05 – “Armas” e “Maternidade”
  • Episódio 06 – “Se preocupe com suas motivações” e “O Supremo Princípio da Moralidade”.
  • Episódio 07 – “Uma Lição sobre a Mentira” e “Trato é Trato”.
  • Episódio 08 – “O que é um bom começo?” e “O que merecemos?”.
  • Episódio 09 – “Discutindo uma Ação Afirmativa” e “Qual é o objetivo?”.
  • Episódio 10 – “O Bom Cidadão” e “Liberdade x Seu Lugar”.
  • Episódio 11 – “Reclamações da Comunidade” e “Onde está nossa lealdade”.
  • Episódio 12 – “Casamento com pessoas do mesmo sexo” e “A vida boa”.
As palestras são todas em inglês e vem acompanhadas de enquetes e fóruns de discussão onde todos podem participar e debater os temas propostos.
O site Justice with Michael Sandel com as palestras não requer inscrição e écompletamente gratuito.
Boa pedida para quem quer se aprofundar no assunto da filosofia e abrir novos horizontes de pensamento, aprender a pensar diferente e ter ideias e opiniões mais abrangentes sobre os mais variados assuntos.
Boas palestras.
Até mais.
Por Canal do Ensino