terça-feira, 28 de junho de 2011

PRORROGADO PRAZO PARA ENVIO DE RESUMOS - ABRAPSO

Aos participantes do XVI Encontro Nacional da ABRAPSO
A Comissão Organizadora do Encontro, sensível aos apelos de Núcleos, Regionais, associados, simpatizantes e participantes, decidiu prorrogar o prazo para submissão de resumos. O novo prazo é 15 de agosto de 2011

Detalhes do evento no http://www.abrapso.org.br/

CONSULTA PÚBLICA

O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e da Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS (MNNP-SUS), reabriu prazo até o dia 20 de julho de 2011 para envio de sugestões da Consulta Pública nº 3, que trata do encaminhamento de contribuições visando ao aprimoramento da Minuta de Portaria que institui as Diretrizes da Política Nacional de Promoção da Saúde do Trabalhador do SUS, publicada no Diário Oficial da União nº 95, de 19 de maio de 2011, seção 1, página 81.
Acesse a consulta pública no endereço: http://www.saude.gov.br/consultapublica, escolha a consulta, clique em contribuir e preencha o cadastro para fazer login e senha no sistema.

As diretrizes propostas requerem ampla divulgação a fim de que todos possam contribuir para o seu aperfeiçoamento. Após apreciação das contribuições advindas da consulta pública, as diretrizes serão repactuadas na MNNP-SUS e apresentadas à Comissão Intergestores Tripartite - CIT e ao Conselho Nacional de Saúde - CNS.

Eventuais sugestões poderão ser encaminhadas por carta, até o dia 20 de julho de 2011, ao Ministério da Saúde, Esplanada dos Ministérios, Bloco G, 7º andar, sala 751, Brasília-DF, CEP 70058-900, com a indicação “Sugestões à minuta de portaria que institui as Diretrizes da Política Nacional de Promoção da Saúde do Trabalhador do Sistema Único de Saúde”, por e-mail: comitestsus@saude.gov.br ou pelo sitio http://www.saude.gov.br/consultapublica.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Referendando...BARROSO, Geraldo (2008). Crise da escola ou na escola ? Uma análise da crise de sentido dos sistemas públicos de escolarização obrigatória. Revista Portuguesa de Educação. CIEEd – Universidade do Minho.

Barroso discute os significados atribuídos à crise da escola pública ao longo da História, ressaltando a importância dos diferentes contextos dentro do processo.           Desse modo, ele afirma que a crise da escola não pode ser entendida ou superada se a discussão acerca do assunto ficar restrita a própria escola. Compreender os fatores que contribuíram para o enfraquecimento das promessas da modernidade ou os efeitos da globalização econômica e cultural é essencial para situar a crise da escola contemporânea a partir dos processos históricos que a precederam.
            O autor discute os impasses da universalização da escola, que ao tornar-se acessível a um número maior de pessoas, tornou visível o fracasso escolar que antes não era tão evidente. Parte daí grandes questionamentos para entender qual a causa de tamanho fracasso. Barroso sugere a mudança do público alvo como causa importante, tendo em vista que a escola estava preparada para atender aos setores privilegiados da sociedade e não soube lidar com as diferenças impostas pela abertura do ensino as demais classes sociais.
            Para o autor, superar o caráter excludente e alcançar as diferenças socioeconômicas e culturais tem sido  o grande desafio para um modelo escolar que assume o ideal de ser igual para todos, desconsiderando que  nem todos  são iguais. Nessa perspectiva ele discute brevemente as alternativas que foram pensadas com vistas a reverter o processo de fracasso escolar, lembrando que tudo que se alcançou foi perpetuar a desigualdade e aumentar a exclusão, uma vez que tais tentativas tendem a evidenciar a criação de um currículo de nível mais baixo, para alunos de baixo nível.
            Outro importante aspecto discutido pelo autor é a afirmação de que a crise supra mencionada torna evidente que o simples acesso à escola já não é garantia de conhecimento aos que nela adentram.
            Diante da evidencia de que tudo muda, mas a escola permanece a mesma; Barroso conclui o artigo propondo uma reação, um esforço para encontrar caminhos alternativos para a escola pública.
            Fazendo uma análise crítica da discussão proposta por Barroso, alguns  pontos chamaram a atenção no que diz respeito a forma de entender a crise do modelo escolar na contemporaneidade atentando para a complexidade da questão.
Entender todo o processo histórico que determinou a presente situação da escola é fundamental para pensar em mudanças que realmente façam diferença.          Fora desse contexto as tentativas permanecerão vãs, como a muito vem acontecendo.
Sabemos que o que ocorre de fato é a crise do modelo escolar, que para ser vencida necessita ser encarada de frente, despida de interesses e ideologias. Apenas compreendendo a dimensão do papel da escola na sociedade, os interesses que defende, e olhar com o devido cuidado para os sujeitos envolvidos, capacitando-os e dando-lhes autonomia para reverter o quadro atual, poderá ser identificado nesse novo contexto o que se espera da escola e os caminhos possíveis para alcançar tais ideais.
A mudança é um processo e não acontecerá de um dia para outro. No entanto, o modelo escolar só iniciará de fato sua jornada de aperfeiçoamento, quando houver vontade política para tal; e infelizmente essa vontade só acontecerá quando os governantes entenderem que para além da postura crítica que a educação fatalmente trará aos cidadãos, a nação também poderá vislumbrar desenvolvimento e então será possível visualizar lucro em uma educação decente.
A partir dessa consciência serão dadas as condições para encontrar alternativas que possam vencer a crise do modelo escolar e assim alcançar um ensino de qualidade, com aprendizagem assegurada. Certamente o chamado de Barroso é estimulante e indiscutivelmente necessário, no entanto, outros atores precisam entrar em cena para mudar os rumos dessa História .
            

quarta-feira, 22 de junho de 2011

BULLYING NA ESCOLA: COMO FICA A APRENDIZAGEM?

Discutir o insucesso escolar a primeira vista parece voltar a um tema debatido exaustivamente, no entanto, diferentes variáveis podem contribuir  para desencadear dificuldades de aprendizagem. Procurar identificar a causa e reverter o processo, exige uma articulação que ultrapassa as paredes da sala de aula e apresenta um universo de sentimentos e atores nem sempre reconhecidos como protagonistas do drama que acomete grande número de alunos.
A aprendizagem só acontece de fato quando o sujeito é compreendido em sua totalidade. Ter as bases biológicas adequadas, por si só não é garantia de que o aluno irá aprender. Ele só passará a construir significados e dar sentido ao que aprende na medida em que compreender a importância que terá para a sua vida, aquilo que está aprendendo. Desse modo, irá despertar o desejo pela aprendizagem e a partir daí passará a assimilar os conteúdos.
Pode-se afirmar que a criança aprende através da imagem de si mesma que recebe do outro. Quando essa imagem é comprometida através de constantes agressões sofridas por colegas no ambiente escolar, o aluno responde emocionalmente com baixa auto estima, depressão, entre outros problemas. As vítimas de bullying constantemente apresentam diferentes disfunções que têm sido muitas vezes negligenciadas pelos adultos. Quando são percebidos sinais e busca-se algum tipo de ajuda, a situação pode tomar rumos diferentes. No entanto, reações diferentes acontecem nesse cenário; pode acontecer da família achar que é bobagem e que a criança precisa aprender a se defender sozinha; outras vezes a família compreende a gravidade do problema e busca o apoio da escola, mas esta nem sempre está pronta para responder a essa demanda. O bullying desperta variadas reações e situações imprevisíveis, o que é previsível e assustador é o poder de destruição que esse cotidiano escolar permeado de frustração causa nos alunos envolvidos.
É fundamental que a família conheça o problema e perceba a necessidade de interferir efetivamente. Sua participação é de extrema importância , tendo em vista que exerce um papel insubstituível na formação do indivíduo. Carvalho e Almeida apresentam no trabalho intitulado Família e Proteção Social, uma discussão que aponta a necessidade de que esse papel seja reconhecido em todas as esferas da vida:.
Constituída com base nas relações de parentesco cultural e historicamente determinadas, a família inclui-se entre as instituições sociais básicas. Com o desenvolvimento das ciências sociais, ampla biografia internacional tem analisado suas diversas configurações e destacado sua centralidade conforme a reprodução demográfica e social. A família é apontada como elemento-chave não apenas para a “sobrevivência” dos  indivíduos, mas também para a proteção e a socialização de seus componentes, transmissão do capital cultural, do capital econômico e da propriedade do grupo, bem como das relações de gênero e de solidariedade entre as gerações. (CARVALHO, ALMEIDA,2003,p.1).
Assim sendo, é preciso haver uma articulação entre família e escola para que juntos possam enfrentar e vencer o bullying, uma vez que sozinhos, os pequenos permanecerão presos ao problema, gerando reações negativas para todas as partes.
            As vítimas têm sua auto-estima destruída e seus projetos ameaçados pela constante vergonha sofrida, impedindo que sua mente possa abrir espaço para novas descobertas e conquistas. Os agressores permanecem num equívoco que poderá comprometer seu caráter e seus valores, afetando assim seu rendimento escolar, social, com consequências imprevisíveis para o futuro.  
Averiguar o quanto o bullying poderá afetar o desempenho escolar dos alunos envolvidos, tanto os agressores quanto os agredidos e investigar as variáveis que influenciam a problemática em questão, parece de fundamental importância para estabelecer novos acordos e  oferecer outras possibilidades aos diferentes atores do ambiente escolar. Fica demonstrado que o sistema escolar precisa se debruçar sobre esse tema e reconhecer que negligenciá-lo poderá contribuir para retardar ou mesmo impedir o pleno desenvolvimento de crianças e  adolescentes. O Brasil possui uma das legislações mais avançadas na área da infância e da juventude. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, criado pela Lei 8069/90 assegura os direitos fundamentais desse segmento e afirma em seu Art. 5º:
 Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.(ECA, Art.5º).
Para a investigadora Beatriz Pereira, docente do Instituto de Educação da Universidade do Minho e especialista em estudos da criança é fundamental tomar as seguintes medidas:
 “ Promover mais espaços de recriação para as crianças, evitar a suspensão ou exclusão dos alunos prevaricadores, conceder apoio social e acompanhamento médico às crianças e famílias mais necessitadas e dotar as escolas e os pais de conhecimentos e autoridade para enfrentar estes problemas são algumas das sugestões para combater o bullying.”
Contudo, o problema é extremamente complexo e exige um importante envolvimento por parte de todos. Pensar em todos esses elementos e encontrar caminhos para ajudar os atores envolvidos no bullying não é uma tarefa simples, muitas variáveis precisam ser consideradas.  Vale a pena questionar:
- As crianças envolvidas com bullying apresentam uma queda no desempenho escolar?
- Existem indicadores que comprovem uma queda nesse desempenho, após a ocorrência constante de bullying ?
- O sistema escolar tem apresentado uma resposta especializada para reverter essa situação?
- Como as famílias dos alunos envolvidos têm reagido ao bullying?
- Quem são os bullies?
- Como estão envolvidos no processo de aprendizagem?
- Como poderemos ajudá-los?
- Os reflexos do bullying no desempenho escolar variam de acordo com a classe social em que os alunos estão inseridos?
            Identificar as variáveis e encontrar respostas para tais hipóteses permitirá novos encaminhamentos  acerca do assunto, em razão disso, é fundamental que pesquisadores do assunto estejam abertos ao diálogo, em busca de um aprofundamento que possibilite esclarecimentos que trarão novos caminhos para esses jovens.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Referendando...ESTEVE, José M. Mudanças sociais e função docente. In Nóvoa, A. Profissão professor. Porto: Porto Editora,1995.

O trabalho de Esteve procura situar os professores no processo histórico que causou toda a transformação do sistema educativo da atualidade, possibilitando-lhes uma reflexão acerca da sua prática frente a nova realidade que se impõe.
            Desse modo, o autor faz uma análise sobre a passagem de um sistema de ensino que atendia exclusivamente a elite, com um público relativamente homogêneo,  para um sistema massificado que apresenta um universo completamente diverso, onde situações complexas passam a fazer parte do cotidiano escolar .
            Esteve explica que tais mudanças têm provocado nos professores o que ficou conhecido como mal-estar docente. A sociedade parece acreditar que cabe ao professor oferecer todas as respostas para enfrentar as dificuldades que surgem em razão das transformações. Como resultado de tantas cobranças esse profissional vem se frustrando e desenvolvendo seu trabalho de modo sofrível.
            O autor discute doze elementos como fatores que são indicadores básicos das mudanças na área da educação. Tais fatores dizem respeito sobretudo ao  aumento das exigências  em relação ao professor, a mudança do cenário da educação, que passa a ter fontes alternativas de informação mudando consideravelmente as formas de acesso ao conhecimento, bem como a forma que a sociedade passa a ver a educação diante das circunstâncias atuais.
            A análise dos indicadores visa compreender as críticas da sociedade e as atitudes dos professores, discutindo a repercussão dessas mudança na personalidade dos profissionais. Citando Hembling e Gilliland, Esteve trata dos ciclos de stress e a saúde dos professores, mostrando dados estatísticos que comprovam a influência das atividades profissionais nos números relacionados ao aparecimento de stress e doenças reais ou fictícias no grupo pesquisado.
            O autor trata da formação dos professores como elemento essencial de enfrentamento aos desajustes provocados pela aceleração da mudanças sociais, repensando sobretudo sua formação inicial. Esteve acredita que a chave do mal-estar docente está na desvalorização do trabalho do professor e para reverter esse quadro é necessário despertar nesses profissionais uma visão crítica e consciente da situação, bem como uma formação adequada, que possa dar conta das exigências impostas pela sociedade contemporânea.
            Fazendo uma breve apreciação do trabalho de Esteve, pode-se dizer que trata-se de uma discussão rica em elementos acerca das mudanças sociais e suas  implicações no sistema escolar. É essencial que os professores compreendam o contexto em que estão inseridos no processo de mudança e consigam redefinir o seu papel na sociedade. No entanto, é importante que ao retirar do professore o papel de vilão e único responsável pelos problemas escolares, não seja criado uma noção de vitimização do profissional. É preciso entender os limites e potenciais da profissão compreendendo que o mundo passa por rápidas transformações que  atingem em maior ou menor grau, variadas profissões, e em razão dessa dinâmica deve-se buscar novas formas de intervenção, recriando seu espaço de trabalho na medida em que sua demanda exige adequações.
             O processo de mudança  segue a evolução  da sociedade com resultados positivos e negativos, sobretudo complexos e contextualizados, o professor como elemento essencial do sistema educativo, tem um papel fundamental nesse processo, cabe aos  profissionais compreenderem a dimensão desse papel provando para a sociedade , para os gestores  e para os alunos,  que são protagonistas dessa história e  estão preparados para lutar nessa batalha onde os principais inimigos são o medo e a acomodação.
            

domingo, 12 de junho de 2011

Referendando...PERRENOUD, PHILIPPE. A pedagogia na escola das diferenças: fragmentos de uma sociologia do fracasso. Porto Alegre; Artmed, 2001; 2ª edição.

A obra de Perrenoud trata dos diferentes aspectos a serem considerados na problemática do fracasso escolar, abordando a dificuldade do sistema escolar em respeitar a heterogeneidade dos alunos como principal causa e analisando de modo crítico o papel de todos os atores envolvidos e sobretudo de quem o autor afirma ter fundamental importância nessa discussão: o professor.
            O autor discute a diferenciação entre os alunos citando Bourdieu quando trata da bagagem cultural que cada indivíduo traz e como essa diferença poderá familiarizar ou exilar o aluno em função do que cada um apreendeu ao longo de sua vida,                                                                         analisando os vários aspectos que permeiam a questão. Tratar os alunos como iguais em direitos e deveres , quando na realidade é evidente que são muitas as diferenças entre eles, acaba por favorecer uma parte deles em detrimento dos demais. O que traz à tona a discussão de que a diferenciação poderá beneficiar as elites, dependendo do modo como o profissional desenvolva a sua prática.  Perrenoud defende que os percursos são necessariamente diferenciados, ainda que não pareçam a primeira vista, uma vez que a história de vida, as aspirações  e até mesmo a atenção que o aluno tem a determinadas aulas interferem no que cada um aprende, sendo  portanto impossível avaliar o percurso de cada aluno. Desse modo ele afirma que toda proposta didática será inadequada para uma parcela dos alunos. Portanto, faz um alerta para que jamais se espere por resultados espetaculares, mas que se tenha consciência de que trata-se de um longo percurso em que nenhum esforço é perdido.
            O papel do professor também é criticamente avaliado, considerado como principal variável a ser mudada. O autor faz uma discussão onde analisa os medos e as vaidades que se impõem a muitos profissionais, impedindo que assumam o compromisso de adotar uma pedagogia diferenciada com vistas a vencer o fracasso escolar. Nesse aspecto,  trata dos lutos que necessariamente precisam ser enfrentados e reconhecidos, para que pesem as perdas e ganhos dessa decisão e percebam que vale a pena enfrentar o desafio. Habituados a serem o centro dos acontecimentos, o professor sente a perda de poder e agarra-se ao modelo tradicional de ensino. Sua autoridade  também é discutida, na medida em que se questiona como mediar o seu papel dentro da sala de aula, sem uma postura autoritária, mas mantendo a liderança da turma. Outro aspecto que causa temor e luto é o trabalho em equipe, que gera insegurança e conflito de interesses entre alguns profissionais, que se apegam as dificuldades apresentadas e negam-se a abrir seu espaço de relativa autonomia para interferência externa. O autor defende que sem um trabalho conjunto, onde toda a comunidade escolar se envolva no processo de mudança, não será possível vencer os desafios da diferenciação. 
            A relação professor x aluno é avaliada, considerando a dificuldade do professor em aceitar determinadas posturas, bem como , até que ponto os alunos estão dispostos a confiar em alguém que faz julgamentos a seu respeito, através de avaliações nem sempre justas. Lembrando que na verdade o professor informalmente acaba conhecendo muito da vida dos seus alunos, no entanto, ele não apreende a importância dessas informações e acaba por descartá-las ao longo de sua prática cotidiana. Nesse aspecto, ele defende que o professor precisaria dispor de um esquema de classificação e registro de tais informações para poder fazer uso adequado delas. Perrenoud lembra que diferentes profissionais desenvolvem seu trabalho de modo personalizado, como médicos, psicólogos e assistentes sociais, dispondo assim de condições adequadas para compreender a individualidade das pessoas para as quais trabalham; o autor defende que se a profissão de professor tivesse sido pensada da mesma forma, não haveria uma incidência tão grande fracasso escolar, uma vez que não haveria dificuldade alguma para compreender a diferenciação de percurso de cada aluno e ajudá-lo a encontrar o caminho adequado para alcançar o sucesso escolar.
             A escola também é avaliada por Perrenoud quando questiona seu papel  apontando-a como responsável por fabricar o fracasso escolar. Para ele existe uma tríplice fabricação do fracasso por parte da escola; em primeiro lugar através do currículo, que desconsidera as diferenças  tanto do ponto em que partem , como nas condições de avançar, o que certamente favorece àqueles que estão familiarizados com as normas. Em seguida ele discute o problema da indiferença às diferenças como sendo o segundo modo de fabricar tanto o sucesso como o fracasso escolar.  E finalmente, o momento e o modo de avaliação, afirmando que a importância que a escola dá a hierarquia é decisiva na construção do que se reconhece como sucesso ou fracasso e que interfere diretamente no desempenho escolar.
             Outra questão trabalhada no livro é a sistematização da diferenciação, lembrando que  é essencial que existam regras de funcionamento negociadas com os alunos e um mínimo de disciplina para que todos compreendam a finalidade do sistema e passem a acreditar nele. A  avaliação tradicional é discutida, quando o autor questiona se os alunos que não passam pela avaliação tradicional na fase escolar, ao deparar-se com uma avaliação seletiva  para disputar com àqueles que estão habituados ao sistema  sentiriam dificuldades ou se seriam autônomos e preparados o suficiente para enfrentar diversas situações que se apresentem sem dificuldade.
            Por fim, Perrenoud lembra que a diferenciação não precisa ser pensada como uma coisa acabada, mas como uma construção que deverá ser continuamente construída em razão da complexidade e diversidade de situações.
            Fazendo uma breve apreciação da obra , pode-se dizer que trata-se de uma abordagem bastante completa da problemática da pedagogia  diferenciada como enfrentamento do fracasso escolar. A complexidade do tema traz consigo diferentes perspectivas que são discutidas de modo claro e coeso. Considero a obra essencial como referencial teórico para quem trabalha com questões voltadas à educação. Os temas discutidos trouxeram-me uma nova roupagem ao entendimento que tinha acerca do assunto, possibilitando um aprofundamento das idéias prévias ao fomentar um novo olhar à  antiga questão . 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

REFERENDANDO....

A cada semana dividirei com vocês uma resenha crítica de um livro, artigo ou texto acerca de temas inerentes ao blog. Oferecendo assim referências bibliográficas que certamente poderão contribuir para potencializar novas discussões.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Fenômeno do bullying: repercussões e desdobramentos dos Diálogos Criativos

Retransmitimos um texto de Anderson Soares - historiador, educador e psicopedagogo - sobre o fenômeno do bullying, provocado pelas intervenções do professor Herculano Campos e da pesquisadora de pós-graduação Maria Aparecida Cunha durante o encontro dos Diálogos Criativos do dia 11 de maio.
Fenômeno do bullying esscolar: reflexo da sociedade da intolerância
A exacerbação das conseqüências das mudanças e transformações, resultantes no século XXI, tem se refletido de forma impactante nos ambientes escolares e uma delas é a intensificação da intolerância às diferenças, que neste momento tem gerado reflexões de educadores, psicólogos, sociólogos, etc.
As transformações sócio-econômicas e principalmente comportamentais trazem imensos desafios para os ambientes escolares, que parecem impotentes diante do anúncio de uma nova e complexa sociabilidade da qual os modelos tradicionais de educação não estão dando conta. Os pais dos alunos também parecem desorientados e perplexos diante da sua responsabilidade na formação pessoal e educacional de seus filhos. Estes pais não sabem lidar com as questões afetivas num cotidiano de pouco cultivo dos valores humanos.
Os vínculos humanos, consumados sob a égide das transformações citadas, são substancialmente frágeis e empobrecidos afetivamente (volúveis e descartáveis). Como conseqüência, não é projeto e nem prioridade para pais e mães a formação e educação de seus filhos, mesmo que estes pais acreditem na educação no ambiente familiar como sendo mero suprimento das necessidades materiais.
Aqueles que seriam os responsáveis pela formação pessoal e afetiva de seus filhos parecem impotentes diante da realidade dos mesmos que são expostos a excesso de informação, apegados a tecnologias e aos jogos eletrônicos, desmedidos no culto à estética, adeptos a futilidades diversas, doentiamente consumistas, emocionalmente precários, afetivamente embotados e quase nunca cultivam os valores humanos. Independente das diferenças econômicas entre os diversos responsáveis (pais, mães, cuidadores) todos vivenciam a mesma mazela psicossocial; tanto o executivo loiro, que usufrui todo privilégio do poder econômico (curso “superior”, bairro “nobre”, lugares “sofisticados”) e supre as necessidades materiais do filho quanto o pardo semi-alfabetizado (invisível socialmente) que se mantém com sua modesta carrocinha de cachorro-quente e minguados recursos.
O resultado macabro, nestas crianças e adolescentes que pouco recebem de afeto e orientação de seus pais (ou cuidadores), é, nos ambientes escolares, o seu comportamento problemático e permissivo, oriundo da precariedade emocional e desleixo em suas formações. Estamos nos referindo à infância e à adolescência como etapas de desenvolvimento primordiais à formação de futuros adultos que vão se expor às questões de ética, tolerância, cultivo dos valores humanos, percepção das próprias emoções e experiências de limites e frustrações. Diante desta realidade, o poder do exemplo e referência dos pais deveriam ser imperativos.
O que nós conhecemos como bullying, nos ambientes escolares, nada mais é do que um reflexo da sociedade da intolerância, na qual cada ser social doente reproduz as mazelas e valores conforme seu contexto. As agressões morais, simbólicas, opressão econômica, insultos, desrespeito à diferença, fazem parte do cotidiano de uma estrutura social doentia em que o ter sobrepuja o ser, o poder econômico prevalece diante dos valores humanos (tão pouco cultivados e subestimados pela sociedade quase psicopática).
A intolerância em nossa sociedade é estimulada de diversas formas, principalmente no campo simbólico. Reflitamos sobre a ideologia implícita nos valores que são cultivados, nos comportamentos que são glorificados, no que está embutido nos programas e propagandas da TV burrificadora, nos tipos físicos expostos nas capas de revista e outdoors. Também as religiões…Prestemos atenção aos discursos de “fraternidade” de padres, pastores e demais charlatães de várias tinturas e genealogias.
Lembremos que os nazistas da Alemanha hitlerista chegaram ao poder através do voto e suas ações tiveram respaldo da maioria dos alemães. Importante citar também um famoso deputado federal (de falas fascistas e extremistas) cujas idéias representam as crenças de parcela significativa da sociedade brasileira.
As crianças e adolescentes, seres em formação, são muito vulneráveis do ambiente: a intolerância é aprendida. Se não recebem afeto, orientação e formação sólida em seus ambientes domésticos, ficam à mercê da permissividade e da falta de capacidade de respeitar seu semelhante (seja ele quem for). A não existência de comportamentos de referência e exemplos vindos de seus pais é um ingrediente fatal para o cultivo diário da intolerância em seus ambientes escolares.
É nos ambientes escolares que, frequentemente, crianças e adolescentes extravasam suas perturbações subjetivas e inquietações psíquicas. É através de comportamento agressivo ou de excessivo retraimento que a vítima ou aquele que comete bullying se expressam.
E as escolas que, em pleno século XXI, seguem modelos arcaicos e contraproducentes priorizam os valores cognitivos em detrimento da emoção adoecida e da sensação de vazio de crianças e adolescentes, quase órfãos de pais vivos. Mesmo diante destas aberrações comportamentais, prevalece a idéia de que a escola boa é aquela que “aprova para o vestibular”. Diante destas mazelas, a precariedade e impotência estão presentes tanto em escolas abastadas, que formam os filhos das elites econômicas; quanto em escolas públicas depauperadas, que atendem os que não tem poder de capital: os figurantes mudos, que vivenciam a invisibilidade social cotidiana.
Torna-se decisiva uma profunda reflexão (novos olhares, novos direcionamentos) em torno de tão sérias transformações. A relação entre família e escola tem que ser reforçada e repensada sob os desígnios dos desafios do século XXI, entendendo o quanto o ambiente escolar é vulnerável diante da sociedade da intolerância: o bullying não pode ser pensado isoladamente!
A escola deve ser exatamente o lugar onde o convívio e a tolerância com as diferenças devem ser trabalhados e estimulados na formação de crianças e adolescentes. Tal trabalho continuará contraproducente se todos os envolvidos (pais, mães, educadores, cuidadores, etc) deixarem prevalecer dentro de si os hábitos viciados, os preconceitos arraigados e a mentalidade doentia que são cultivados no dia-dia pela sociedade psicopática.

PARABÉNS À VITÓRIA DA CHAPA 2 DO CCHLA!

Os professores Herculano Campos e Graça Soares da chapa 2 – Diálogo e Transparência – foram eleitos diretor e vice-diretora, respectivamente, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFRN. A votação ocorreu ontem, dia 1º de junho, das 8 às 21 horas e a apuração começou por volta de 21:30.

No resultado final, Herculano e Graça obtiveram 51,82% dos votos válidos contra 32,13% de Alípio e Durval (chapa 1) e 16,04% de Renata e Alex (chapa 3). Entre os professores a Chapa 2 obteve 156 votos contra 48 da chapa 1 e 38 da chapa 3. Entre os técnicos administrativos foram 39 contra 37 da chapa 1 e 15 da chapa 3. Entre os estudantes 643 votaram na chapa dois, 675 na chapa um e 247 na chapa três.

Dos 5.616 estudantes, professores e técnicos administrativos do CCHLA aptos a votar, 1.874 compareceram às urnas. Do universo de 5.238 estudantes, apenas 1.534 participaram do pleito. Dos 275 docentes, 245 votaram e dos 103 técnicos administrativos 95. Diante disso, o peso real dos votos por categoria foi de 42,84% para os funcionários, 42,67% para os professores e 14,48% para os alunos. Vinte e três votos foram anulados e 12 eleitores votaram em branco.

Encontro: BULLYING NA ESCOLA: QUEBRANDO O SILÊNCIO. Facilitadores: Herculano Campos e Aparecida Cunha

sexta-feira, 13 de maio de 2011


Fotos do encontro de 11 de Maio - BULLYING NA ESCOLA: QUEBRANDO O SILÊNCIO

Grande participação de público e uma intensa, profunda e proveitosa discussão - que se estendeu até o Auditório da Livraria Siciliano fechar - caracterizaram nosso último encontro, BULLYING NA ESCOLA: QUEBRANDO O SILÊNCIO.

Parabéns à mesa e muito obrigado a tod@s que participaram!