sábado, 30 de julho de 2011

IV ENCONTRO NORDESTE DE PSICOPEDAGOGIA V CONGRESSO DE PSICOPEDAGOGIA DO RN 07 e 08 de outubro de 2011 Natal/RN

NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS
A Seção de Psicopedagogia do RN realiza o IV ENCONTRO NORDESTE DE PSICOPEDAGOGIA / V CONGRESSO PSICOPEDAGÓGICO DO RN,   sob o tema PSICOPEDAGOGIA: O APRENDER SEM FRONTEIRAS, com o propósito de refletirmos temas pertinentes a área, bem como aos rumos da psicopedagogia no Brasil e no Nordeste neste ano de 2011. 
 

O evento é destinado a educadores, profissionais e pesquisadores das áreas de psicopedagogia, psicologia, fonoaudiologia, arteterapia, estudantes de graduação e pós-graduação e demais envolvidos com a temática.   A Seção/RN recebe carinhosamente todos os nossos participantes para este evento que muito enriquece o diálogo profissional e educativo no campo da aprendizagem humana.

 

COMUNICAÇÕES ORAIS
1 - DA PARTICIPAÇÃO:
Poderão submeter trabalhos para o IV ENCONTRO NORDESTE DE PSICOPEDAGOGIA / V CONGRESSO DE PSICOPEDAGOGIA DO RN todo e qualquer profissional ou estudante de psicopedagogia e áreas afins, por meio do endereço eletrônico:www.psicopedagogiarn.com.br ou pelo email: psicopedrn@yahoo.com.br de acordo com as normas abaixo descritas.  Os trabalhos deverão ser inscritos no evento e enviados durante o período de 20/07/2011 a 31/08/2011, sendo pagos antecipadamente suas inscrições.  Os trabalhos científicos deverão constituir-se de textos completos inéditos de pesquisa científica ou relatos de experiência. 
2 – DA AVALIAÇÃO DOS TRABALHOS:
Os trabalhos inscritos serão avaliados pela comissão  científica constituído de psicopedagogos indicados pela ABPp – Seção RN.   Esta comissão emitirá parecer sobre os trabalhos (comunicação oral) a serem apresentados nos respectivos GTs. Os aceites dos trabalhos serão divulgados até o dia 20/09/2011.
3 - DOS TRABALHOS CIENTÍFICOS
Os trabalhos submetidos deverão ser inscritos na seguinte modalidade:
Comunicação Oral - Apresentação sobre determinado assunto que deverá ser realizada em 15 minutos, com 5 minutos para questionamentos e poderá ter, no máximo, dois comunicadores. Formatação do artigo: para se inscrever nesta modalidade, o autor deverá submeter um artigo com no mínimo 03 (três) e no máximo 06 (seis) laudas, incluindo imagens, notas de rodapé e referências. Deverá conter título, autores (nomes, emails), resumo, introdução, objetivo(s), metodologia, resultados e/ou conclusão e referências de autores citados, segundo as normas da ABNT em vigor.  O texto deve ser organizado de acordo com as seguintes especificações: digitação em editor de texto para Windows; fonte arial, tamanho 12; título em maiúsculo, negrito e centralizado; texto justificado com recuo de parágrafo 0,6 cm e espaçamento entre linhas 1,5; margens superior e esquerda de 3cm e inferior e direta de 2cm.
4 - DOS GRUPOS DE TRABALHOS
Os grupos de trabalho a partir dos quais organizar-se-ão as apresentações são os seguintes:
·         GT01 – Psicopedagogia Clínica
·         GT02 – Psicopedagogia Escolar
·         GT03 – Psicopedagogia e Saúde
·         GT04 – Psicopedagogia e Trabalhos Sociais
·         GT05 – Psicopedagogia e Empresas
·         GT06 – Educação Especial
·         GT07 – Alfabetização, leitura e escrita 
 4 - DA INSCRIÇÃO:
Os trabalhos poderão ser inscritos por meio do envio de arquivo PDF (nomear o arquivo com o GT e nome do autor) à ABPp - Seção RN, email:  psicopedrn@yahoo.com.br,  de acordo com as normas para a apresentação de trabalhos.  Os trabalhos deverão ser enviados até o dia 31/08/2011, sendo pagos antecipadamente suas inscrições aytravés de depósito bancário no Banco: Caixa Econômica Federal (CFE), Agência: 3242, em nome da ABPp - Seção RN, Conta Corrente: 0356-4  Os trabalhos científicos deverão constituir-se de textos completos inéditos de pesquisa científica ou relatos de experiência.  Os valores de inscrição serão:
a) Associados e estudantes - R$ 160,00
b) Não sócio e profissionais em geral: R$ 230,00
5 - DAS INFORMAÇÕES:
Estarão disponíveis para informações os seguintes canais:
a) Telefones: (84) 3219-4870 / (84) 8884-0010

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural

O Ministério da Cultura abriu inscrições para o Edital de Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural. Serão R$6,6 milhões dividos em dois editais. O primeiro edital, com investimentos de R$ 3,3 milhões, foi publicado dia (08) no Diário Oficial da União (Seção 3, a partir da página 19) e contempla viagens que ocorrerão entre outubro deste ano a março de 2012.
Com recursos do Fundo Nacional da Cultura (FNC), o Programa consiste na concessão de auxílio financeiro para o custeio de despesas relativas à participação de artistas, técnicos, agentes culturais e estudiosos em atividades culturais, promovidas por instituições brasileiras ou estrangeiras.
A ação tem o objetivo de promover a difusão e o intercâmbio da cultura brasileira em todas as áreas culturais: artes cênicas, artes visuais, música, audiovisual, memória, movimento social negro, patrimônio museológico, patrimônio cultural, novas mídias, design, serviços criativos, humanidades, diversidade cultural, entre outras expressões.
Maiores informações no http://www.cultura.gov.br/site/2011/07/11/programa-de-intercambio-e-difusao-cultural-33/

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Referendando...Perrenoud Philippe. Pedagogia diferenciada: das intenções à ação.Cap. 2. Porto Alegre. Artmed.2000



O capítulo 2 do livro trata da situação atual em torno do fracasso escolar e a proposta de uma Pedagogia Diferenciada como solução para reverter o problema; citando os obstáculos que se colocam para a sua efetivação.
            Perrenoud trata inicialmente de como surgiu à noção de que havia necessidade de uma pedagogia diferenciada, tendo em vista que a deficiência sociocultural tornou claro que o fracasso escolar não era uma fatalidade, mas estava fortemente ligada a condição social da família.
            Em meados dos anos 70, as divergências acerca do assunto levaram ao questionamento quanto à possibilidade de lutar contra o fracasso escolar em uma sociedade completamente desigual.
            Autores como Althusser, Bourdieu e Passeron, Baudelot e Establet argumentavam que o sistema escolar exerceria uma função de reprodução das classes e das hierarquias sociais, sendo, portanto ingênuo acreditar que haveria empenho por parte das classes dominantes, para reverter o fracasso escolar. Sobretudo porque a situação favorecia os seus filhos, perenizando as relações sociais. “A luta contra o fracasso escolar deslocava-se para o terreno político. ”      (pag. 39)
            Berthelot (1983), procura atenuar tais afirmações ao defender que a lógica de perpetuação da ordem social nem sempre coincidem, a busca de uma posição favorável para a nação na competição mundial seria razão suficiente para a democratização dos estudos. Desse modo, a escola contribuiu para a emergência de uma classe média instruída.
            Atualmente, percebem-se intenções democratizantes que levam a crer que os governos estão interessados em acabar com o fracasso escolar, no entanto, existe uma enorme distancia entre as palavras e as práticas administrativas e educativas, fazendo com que muitos se acomodem alegando não ter meios para reverter o quadro, uma vez que o governo não faz a sua parte.
            Contudo, é crescente o número daqueles que acreditam em uma Pedagogia Diferenciada, através de zonas de educação prioritária, criação de ciclos de aprendizagem e avaliação formativa.
            Trabalhar a diferenciação é o grande desafio, é preciso cuidado para não hierarquizar ao dividir os alunos, ampliando as diferenças. Atentar para a diversificação dos procedimentos e atendimentos através de uma regulação proativa é um meio eficaz para assegurar a igualdade.
            No entanto, o autor levanta dois problemas que precisam ser considerados:
<!     Não funciona criar um modelo de diagnóstico prévio;
<      Existe uma tendência para aumentar as variações.
Embora autores como Meirieu, Cardinet, Allal e Perrenoud tenham desenvolvido pesquisas e criado concepções importantes ã respeito, não conseguiram dar conta dessa complexa questão.
Em seguida, Perrenoud discute como as estruturas acabam defrontando-se com a Pedagogia Diferenciada, segundo o autor: “Todo esforço de diferenciação da pedagogia defronta-se, cedo ou tarde, com o costume...” que seria a escolaridade dividida em etapas.
Há trinta anos tenta-se tornar essa estrutura mais flexível, através de diferentes medidas que lamentavelmente não conseguem dar conta da heterogeneidade dos alunos.
Tentando reverter às dificuldades, diversos sistemas educacionais decidiram pela criação de ciclos de aprendizagem. Contudo, a noção de ciclo é ambígua, tanto pode esconder uma manutenção mal dissimulada dos graus; como pode contribuir para a formação de progressões individuais.
O fato é que a Pedagogia Diferenciada origina uma abordagem inovadora, centrada no aprendiz e seu itinerário. Trata-se da individualização dos percursos de formação.
Os desafios que se colocam articulam-se entre concepções diversas, e às vezes, contraditórias. Sobretudo no que diz respeito à didática, a avaliação, a relação intersubjetiva e intercultural e da própria diferenciação, é importente considerar os seguintes aspectos
Em se tratando da didática, se faz necessário compreender como as crianças e os adolescentes aprendem, qual é o papel do professor, qual o papel da escola.
Em torno da diferenciação, é preciso atentar para a importância de que o professor forneça aos alunos os meios intelectuais e afetivos para ultrapassar os obstáculos.
Quanto à avaliação, o desafio é vencer a concepção tradicional, que tem impossibilitado uma autorregularão das aprendizagens que seria, na opinião de Perrenoud, a forma ideal de regulação com vistas a não separação entre didática e avaliação.
No que diz respeito à relação intersubjetiva e intercultural, Perrenoud afirma que: “diferenciar o ensino coloca em confronto não só diferenças bem visíveis de desenvolvimento, de projeto, de capital cultural, mas também ínfimas e invisíveis diferenças na relação com o mundo, com a vida, com o futuro, com os outros, com a propriedade, com o tempo, com a ordem, com o saber, com o trabalho e com mil outras dimensões da existência. ”
Fazendo uma breve análise da discussão de Perrenoud, acredito ser pertinente atentar para a qualificação docente, tendo em vista que para sair da teoria e entrar na prática do cotidiano escolar, a implementação de uma Pedagogia Diferenciada necessitaria de profissionais altamente qualificados. Para vencer a complexidade da proposta, apenas um trabalho embasado cientificamente poderá oferecer subsídios que permitam reinventar a prática na medida em que surgem os desafios, com vistas a dar conta da reorganização que se faz necessária.
Parece-me que, sobretudo no que diz respeito as escolas públicas, ainda existe uma longa distância entre a qualificação necessária para tamanha ousadia e a realidade dos profissionais que fazem a comunidade escolar como um todo. Profissionais esses, que vivem uma aventura cotidiana ao cumprir minimamente o seu papel, não dispondo de condições para desenvolver seu trabalho satisfatoriamente.
A violência na escola, os problemas socioeconômicos, a escassez de material adequado, bem como a própria qualidade de vida do professor, são problemas que precisam ser enfrentados com seriedade e vontade política.
Muitas mudanças devem entrar em ação, começando pela qualificação do professor, que precisa compreender e assimilar o seu papel no processo de aprendizagem do aluno; bem como a reestruturação do ambiente escolar, e fortalecimento das condições de trabalho como base essencial para criar um alicerce seguro, que possa favorecer a uma Pedagogia Diferenciada que de fato dê conta da complexidade de sua proposta.
A Pedagogia Diferenciada é um grande instrumento da inclusão escolar, uma vez que ao respeitar a individualidade do aluno são fornecidos os meios para potencializar a sua aprendizagem.

Analisar a qualidade dos serviços ofertados aos alunos com dificuldades de aprendizagem por diferentes razoes, mostrará o quão distante estamos da proposta de uma Pedagogia Diferenciada, de que forma essa distância tem prejudicado a escolarização dessas crianças, bem como a viabilidade de reverter o quadro de fracasso escolar através da discussão proposta no livro de Perrenoud.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Proteção à adolescência poderá ser incluída entre os direitos sociais na Constituição

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A lista de direitos sociais previstos na Constituição, que inclui o direito à
 educação, a previdência social, e a proteção à maternidade e à infância, 
poderá ganhar mais um item: a proteção à adolescência. É o que propõe
 o senador Paulo Bauer (PSDB-SC) em Proposta de Emenda à Constituição 
(PEC 70/2011) apresentada durante o recesso parlamentar.
A PEC, se aprovada, alterará o artigo 6º da Constituição, que passará a 
mencionar a proteção à adolescência. Em sua justificação, Paulo Bauer 
afirma que a proposta preenche uma lacuna da Carta Magna, cujo texto 
ampliou a proteção social em muitos aspectos e estabeleceu várias 
obrigações do Estado para crianças e adolescentes, mas deixou de 
incluir esse direito específico.
O senador lembrou também que o Estatuto da Criança e do Adolescente
 (Lei 8.069/90), que regulamenta os dispositivos constitucionais de proteção
 a esses cidadãos, traz uma definição objetiva diferenciando "criança" de
 "adolescente", enquanto o artigo 6º da Constituição não menciona a ado-
lescência.
 "Essa omissão precisa ser corrigida, sob pena da incoerência das garantias 
previstas nos demais dispositivos constitucionais", declara Paulo Bauer.
A proposta será examinada pela Comissão de Constituição, Justiça e
 Cidadania (CCJ), onde aguarda designação do relator. 
Paulo Cezar Barreto / Agência Senado

terça-feira, 19 de julho de 2011

II ENCONTRO NACIONAL DA ABET

O XII Encontro da ABET será realizado de 21 a 23 de setembro de 2011, na cidade de João Pessoa-PB, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O evento tem caráter nacional, contando com convidados estrangeiros. Seu público-alvo é constituído de pesquisadores, professores, outros profissionais, alunos de pós-graduação e de graduação de várias áreas do conhecimento, privilegiando a discussão interdisciplinar.
O tema central do evento é “Cenários da crise e a organização do trabalho: permanências, mudanças e perspectivas”. O objetivo central do XII Encontro Nacional da ABET é aprofundar a discussão sobre a crise econômica desencadeada em 2008 e seus desdobramentos sobre a organização do trabalho tanto no panorama internacional quanto nacional.
O encontro está organizado em quatro segmentos, a saber: a) sessões de abertura e fechamento, com a realização de mesas redondas voltadas para a discussão central do tema do encontro, envolvendo convidados estrangeiros e nacionais; b) oito mesas redondas, integradas por pesquisadores especialmente convidados; c) 32 sessões temáticas, distribuídas em 8 grupos temáticos, que constituem espaço privilegiado para discussão das diferentes pesquisas realizadas ou em andamento na área do trabalho; d) sessão de pôsteres. As mesas redondas, as sessões temáticas e a sessão de pôsteres estão estruturadas a partir dos 8 eixos temáticos da ABET.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Referendando... Alves,Rubem. Entre a ciência e a sapiência: o dilema da educação. Edições Loyola. São Paulo.1999.



                           Rubem Alves  fala de sua paixão pela educação e inicia discorrendo sobre as idéias que tem na cabeça, afirmando que os saberes da ciência permanecem na sua mente sem despertar nenhum afeto e só aparecem quando requisitados. Quando a memória falha, podem ser encontrados em algum livro. Considera que os educadores deveriam entender isso: “Mais importante que saber é saber onde encontrar”.
             Seriam idéias universais, incapazes de despertar paixões. Enquanto as idéias que são parte dele são sementes cheias de esperança. Ilustra esse pensamento dizendo:
         Minhas idéias-carneirinho são meus sonhos. Elas nada têm a ver com a ciência. Porque as idéias da ciência são idéias universais, de todos, quer gostemos delas ou não. A verdade científica está fora do círculo do gostar. Minhas idéias não são universais. São minhas e dos poucos que gostarem delas.
            De modo provocativo, o autor escreve cartas “aos que mandam na educação”. Ao Sr. Roberto Marinho ele faz uma  instigante súplica, comparando-o a um anjo capaz de engravidar uma nação inteira com as idéias que pode propagar. “Os sedutores sabem que a sedução se faz com coisas mínimas.”Sermões e lógicas jamais convencem”, dizia Whitman. “Só se convence fazendo sonhar” dizia Bachelard.
            Ele insiste que a ciência em sua soberania não pode ensinar o homem a sonhar. No entanto, a televisão é uma máquina de sonhos que pode induzir as pessoas como desejar. Podendo transformar-se em um poderoso instrumento da educação.
            Alves segue escrevendo cartas ao Ministro da Educação, aos mestres, ao reitor da Unicamp, repetindo à todos que não são as leis e regras impostas pela ciência que conseguirão fazer valer a educação de fato e provoca dizendo que não existe relação alguma entre saber científico e sabedoria.
O prazer da leitura é discutido de modo crítico, lembrando que prazer não se impõe. Defende que a leitura pode ser alienante dependendo do uso que se faça dela.Para ele, é preciso dominar a técnica de ler e quem o fizer terá a chave de abrir o mundo.
A sugestão que aparece em cada página do livro é de que os educadores precisam pensar menos nas tecnologias do ensino e deter  a atenção em despertar a paixão em seus alunos.
Um livro leve e gostoso de ler, cheio de analogias e provocações que nos leva a uma instigante reflexão acerca de ciência e sapiência. Permite-nos reconhecer a importância da ciência, dando-lhe a devida dimensão, deixando um espaço especial em nossas mentes para a paixão que surge da naturalidade, da leveza de viver sem se prender a tantos métodos, mas com o prazer de sentir os sabores que a vida nos oferece.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Bolsas para Jovens Investigadores 2012,

Entre 1 e 31 de Julho, estarão abertas as candidaturas para as Bolsas para Jovens Investigadores 2012, no âmbito do Programa de Estadias Curtas no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra – Laboratório Associado.

Este programa consiste na atribuição anual de duas bolsas que visam dar a jovens investigadores de países de língua oficial portuguesa a possibilidade de se integrarem por períodos de um mês nas actividades e dinâmicas dos projectos de investigação realizados no Centro, sob orientação de um/a investigador/a sénior.
Todas as informações relativas às candidaturas e respectivo regulamento podem ser obtidas através do link http://www.ces.uc.pt/oportunidades/bolsasces/bolsasjovensinvestiga.php

No Espírito Santo, escola estadual cria sala dos reprovados

VITÓRIA - A Escola Estadual Marcílio Dias, localizada na Barra do Jucu, em Vila Velha, Espírito Santo, criou uma 'sala dos reprovados'. São os alunos do 1º ano do Ensino Médio. Segundo a Rádio CBN de Vitória, mães de estudantes da sala dos reprovados temem a 'exclusão dos filhos e a possibilidade de que os reprovados sofram algum tipo de pressão da direção da escola'. Para algumas mães, a criação da sala é uma forma de bullying contra esses alunos.
- Todos os alunos lá são tachados como reprovados. Até mesmo os professores e a secretaria os classificam assim. Se você liga para lá e pede alguma informação sobre a turma, eles dizem: 'ah, é da turma dos reprovados'. No meu entender, isso caracteriza uma discriminação e até mesmo bullying por parte da escola - comentou a mãe de um dos estudantes do 1º ano.
- Eu até já pensei em tirar meu filho dessa escola, pedir a transferência, mas é a escola mais próxima de casa. Prefiro acreditar que a escola vai fazer, sim, o remanejamento desta turma - disse.
Pela manhã, estudam na Marcílio Dias 230 alunos da 8ª série do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. E todos os estudantes abordados pela reportagem souberam dizer, com facilidade, as características da chamada "sala dos reprovados".
Dois estudantes de 14 anos disseram o seguinte:
- Eles (a turma dos reprovados) são uns demônios. Todos que reprovaram se juntaram e virou um inferno - disse o adolescente.
- A minha sala é em frente à deles e realmente existe muita bagunça. Eles colocam fogo na lixeira, na cadeira nos professores, amarram cadeiras no ventilador. Coisas desse nível - disparou outra aluna.
A direção da escola foi procurada. Professores, que preferem o sigilo, apresentaram à reportagem as atas de duas reuniões realizadas este ano. Dos 30 pais ou responsáveis aguardados, apenas nove apareceram. A escola disse que a formação de uma classe só de repetentes foi feita por uma espécie de sistema gerencial on-line, e que não foi uma escolha pedagógica. O problema não para por aí: no primeiro trimestre deste ano, somente cinco alunos da sala atingiram a nota média necessária.
Além disso, segundo os professores, a turma tem sérios problemas disciplinares. Nas últimas semanas, alunos da "sala dos reprovados" amarraram cordas no ventilador e nas carteiras e ligaram o equipamento. Há alguns dias, um tubo de cola branca foi espalhado na lousa. As infrações são confirmadas pelos estudantes.
- Tudo que acontece na escola é culpa da minha turma. A gente é sempre discriminado e isso não é legal. A turma realmente não é fácil, tem meninos que aprontam e a culpa acaba recaindo sobre todos. Há alunos de outras salas que vêm, provocam, e a gente acaba ficando com a culpa - destacou uma aluna de 16 anos da 'sala dos reprovados'.
Segundo a consultora educacional e presidente do Centro de Estudos do Bullying Escolar do Distrito Federal, Cléo Fante, o que ocorre na Escola Estadual Marcílio Dias não caracteriza bullying, conforme acusou a mãe de um dos alunos. A especialista diz que, por se tratar de uma relação envolvendo professores, diretores e estudantes, o que se observa ali é um grave caso de rotulagem.
- Isso é uma falta de respeito muito grande contra o grupo. A criação do rótulo dos reprovados configura a criação de um estereótipo, mas isso não é bullying - salientou.
O Ministério Público do Espírito Santo informou que vai analisar os fatos e, caso sejam constatadas irregularidades, tomará todas as medidas legais cabíveis. O MPES informou, ainda, que os pais dos alunos nesta situação devem comparecer à Promotoria de Justiça de Vila Velha para realizar as denúncias.
A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) foi ouvida para se posicionar a respeito da existência da "sala dos reprovados" na Escola Estadual Marcílio Dias, em Vila Velha. De acordo com o
superintendente de Educação Antônio Carlos Moraes, o governo desconhecia o problema e vai interferir na situação.
- Não existe nenhuma orientação da Secretaria de Estado da Educação no sentido de reunir os alunos reprovados - disse Moraes.
Moraes garantiu que vai enviar, ainda esta semana, uma equipe pedagógica à Escola Marcílio Dias para avaliar as condições dos alunos, das outras turmas de 1º ano e também do projeto pedagógico. Entre as intervenções possíveis - mas não garantidas - está o desmembramento da "sala dos reprovados".
Plantão | Publicada em 08/07/2011 às 16h14m
CBN Vitória


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/07/08/no-espirito-santo-escola-estadual-cria-sala-dos-reprovados-924864561.asp#ixzz1RbFyEsyV 
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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Referendando...Middelton-Moz, Jane. Bullying: estratégias de sobrevivência para crianças e adultos.Porto Alegre: Artmed. 2007.

O livro traduzido por Roberto Cataldo Costa, teve a consultoria e revisão técnica de Cléo Fante, reconhecida como autoridade em pesquisas sobre o tema. Trata-se de uma abordagem ampla, que não se limita  a discussão do bullying escolar e adentra nos mais variados espaços onde o fenômeno acontece cotidianamente.
            O bullying é encarado enquanto extremamente danoso, apresentando relatos de suicídio de vítimas que não suportaram a crueldade constante e sistemática e decidiram por fim ao sofrimento de modo dramático. O relato a seguir ilustra a gravidade do problema:
         Um menino de 14 anos que havia sido vítima de bullying por algum tempo e cometeu suicídio para escapar à dor deixou o seguinte bilhete à sua mãe: “Eu poderia pegar uma arma e atirar em todos os meninos, mas não sou uma pessoa má. Também não vou dizer quem são os bullies. Você sabe quem eles são. Eu ria por fora e chorava por dentro. Mãe, depois de minha morte, vá até a escola e fale com os meninos. Diga para que parem com o bullying uns sobre os outros, pois isso machuca profundamente. Estou tirando minha vida para mostrar o quanto machuca.” (Moharib,2000)
            Ao longo do livro, variados relatos de vítimas e até mesmo de bullies, são apresentados. Bullying na escola, no trabalho, entre amigos, parentes, casais... as autoras demonstram que o fenômeno pode acontecer em qualquer tipo de relação interpessoal e fazem uma análise das causas que levam uma pessoa cometê-lo.
            Como o título indica, é apresentado um manual com estratégias de sobrevivência, com indicações de como fortalecer-se para resistir aos ataques. Fazendo uma analogia  a um curso de direção defensiva,  elencam seis  estilos comuns de bullying  ensinando a lidar com cada um deles. São eles: 1- colisões de frente; 2- colisão traseira; 3- acelera, diminui: o controlador; 4- óleo na pista; 5- jogar para fora da estrada; 6- os bullies são especialistas em seu comportamento.
            A autoconsciência também aparece como estratégia de enfrentamento, nas palavras das autoras: “O reconhecimento e a aceitação de quem somos, com qualidades e defeitos, possibilitam que não fiquemos confusos nem sejamos pegos desprevenidos.”
            A influencia dos pais e outros adultos cuidadores, a regulação das emoções, o desenvolvimento da consciência, o peso das expectativas  impraticavelmente altas, são alguns dos temas tratados como ligados ao bullying .
            Considero um material que oferece subsídios para uma reflexão acerca do bullying com sugestões que são realmente úteis para o seu combate. Entretanto, embora a discussão desse fenômeno esteja em evidência  sob as mais variadas perspectivas, existem ainda muitos aspectos que precisam ser desvendados. Enfim, não é um livro denso, apenas mais um olhar sobre o tema que poderá ampliar o leque de possibilidades que essa investigação exige.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Miguel Nicolelis: este homem pode ganhar o Nobel Sidney Rezende | Tecnologia | 25/06/2011 17h56

Na Universidade de Duke, em Durham, nos Estados Unidos, onde é profes-
sor titular, Miguel Angelo Laporta Nicolelis é a principal referência no cam-
po de fisiologia de órgãos. O seu maior sonho é desenvolver um programa
de pesquisas no Brasil que possa integrar o cérebro humano com máquinas,
algo próximo a neuropróteses ou interfaces cérebro-máquina.
Foto: Divulgação/Centro de Educação Científica
Para quem gosta de ficção científica, é como se o homem impossibilitado
 de se locomover pudesse com a ajuda de cirurgias e aparelhos de robó-
tica se movimentar. "Já pensou se na abertura da Copa de 2014, uma pes-
soa tetraplégica pudesse entrar em campo com a seleção brasileira? Seria
um acontecimento histórico. Lembraríamos mais deste feito do que do pró-
prio jogo", diz Nicolelis com os olhos brilhando. "É possível!", arremata.
Não seja precipitado e nem o considere maluco. Nicolelis foi escolhido co-
mo um dos 20 maiores cientistas do mundo pela revista "Scientific Ameri-
can" e foi o primeiro cientista a receber da instituição americana no mes-
mo ano o Pioneer e o Transformative R01.
Você que está numa cadeira de rodas e com movimentos reduzidos aposte
 na inteligência deste homem. O objetivo de suas pesquisas é desenvolver
 próteses neurais para a reabilitação de pacientes que sofrem de paralisia
corporal. Nicolelis e sua equipe foram responsáveis pela descoberta de um
sistema que possibilita a criação de braços robóticos controlados por meio
de sinais cerebrais. O trabalho foi incluído na lista das pesquisas mais pro-
missoras do MIT,o renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Aqui no Brasil, o cientista tem um trabalho bonito no Instituto Interna-
cional de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte, que pretende
o implante dos mesmos eletrodos utilizados nas pesquisas que são de-
senvolvidas em seu laboratório nos Estados Unidos.
Postado por Sidney Rezende | Tecnologia | 25/06/2011 17h56

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Um passeio pela História...verdades que permanecem atuais não importa o tempo...

 Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:





"Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa
-idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho
-da água, como é possível comprá-los?

Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.

Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.

O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.

Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.

Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.

Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.

E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir.

Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.

Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.

Onde está o arvoredo? Desapareceu.

Onde está a águia? Desapareceu.

É o final da vida e o início da sobrevivência"