segunda-feira, 18 de julho de 2011

Referendando... Alves,Rubem. Entre a ciência e a sapiência: o dilema da educação. Edições Loyola. São Paulo.1999.



                           Rubem Alves  fala de sua paixão pela educação e inicia discorrendo sobre as idéias que tem na cabeça, afirmando que os saberes da ciência permanecem na sua mente sem despertar nenhum afeto e só aparecem quando requisitados. Quando a memória falha, podem ser encontrados em algum livro. Considera que os educadores deveriam entender isso: “Mais importante que saber é saber onde encontrar”.
             Seriam idéias universais, incapazes de despertar paixões. Enquanto as idéias que são parte dele são sementes cheias de esperança. Ilustra esse pensamento dizendo:
         Minhas idéias-carneirinho são meus sonhos. Elas nada têm a ver com a ciência. Porque as idéias da ciência são idéias universais, de todos, quer gostemos delas ou não. A verdade científica está fora do círculo do gostar. Minhas idéias não são universais. São minhas e dos poucos que gostarem delas.
            De modo provocativo, o autor escreve cartas “aos que mandam na educação”. Ao Sr. Roberto Marinho ele faz uma  instigante súplica, comparando-o a um anjo capaz de engravidar uma nação inteira com as idéias que pode propagar. “Os sedutores sabem que a sedução se faz com coisas mínimas.”Sermões e lógicas jamais convencem”, dizia Whitman. “Só se convence fazendo sonhar” dizia Bachelard.
            Ele insiste que a ciência em sua soberania não pode ensinar o homem a sonhar. No entanto, a televisão é uma máquina de sonhos que pode induzir as pessoas como desejar. Podendo transformar-se em um poderoso instrumento da educação.
            Alves segue escrevendo cartas ao Ministro da Educação, aos mestres, ao reitor da Unicamp, repetindo à todos que não são as leis e regras impostas pela ciência que conseguirão fazer valer a educação de fato e provoca dizendo que não existe relação alguma entre saber científico e sabedoria.
O prazer da leitura é discutido de modo crítico, lembrando que prazer não se impõe. Defende que a leitura pode ser alienante dependendo do uso que se faça dela.Para ele, é preciso dominar a técnica de ler e quem o fizer terá a chave de abrir o mundo.
A sugestão que aparece em cada página do livro é de que os educadores precisam pensar menos nas tecnologias do ensino e deter  a atenção em despertar a paixão em seus alunos.
Um livro leve e gostoso de ler, cheio de analogias e provocações que nos leva a uma instigante reflexão acerca de ciência e sapiência. Permite-nos reconhecer a importância da ciência, dando-lhe a devida dimensão, deixando um espaço especial em nossas mentes para a paixão que surge da naturalidade, da leveza de viver sem se prender a tantos métodos, mas com o prazer de sentir os sabores que a vida nos oferece.

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