segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A Estranha Casa do Jabuti Cascudinho



Francisco Paiva Carvalho, vem novamente nos brindar com suas encantadoras e comoventes lições de vida, em seu novo livro infantil:  "A Estranha Casa do Jabuti Cascudinho". O livro já está disponível em pré-venda no site da Editora Letramento. Uma boa pedida para os pequenos.
Veja abaixo a sinopse:
 Após se distanciar de seus pais e irmãos enquanto andavam pela floresta, o jabuti Cascudinho começa a ficar apavorado, ao sentir que estava perdido na escuridão da noite. Por sorte, Corisco, um tatuzinho bondoso que morava em uma toca ali por perto, vendo sua aflição, não pensou duas vezes e decidiu ajudá-lo. Começava assim uma verdadeira e eterna amizade. Bastante feliz e nutrindo um sentimento de profunda gratidão, o pequeno jabuti, surpreendendo até a si mesmo, sem muito pensar, resolve atender ao pedido do novo amigo, que queria conhecer sua estranha casa. Uma bonita fábula que procura valorizar e mostrar a importância  da família e, acima de tudo, da verdadeira amizade.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

VEJA COMO ESTÁ TIPPI, A MENINA QUE VIVEU DURANTE 10 ANOS NA SAVANA AFRICANA


Uma criança passa sua infância na selva. Com esse enredo, a história de Tarzan, Mogli e a mitologia dos fundadores de Roma, Rômulo e Remo vêm à cabeça. Essa história já se passou várias vezes na ficção mas também aconteceu na vida real.
Tippi Benjamine Okanti Degri foi uma garota francesa que nasceu na Namíbia em 1990 e viveu por 10 anos na selva africana. Apelidada de Tippi, a verdadeira Mogli da selva, passou os primeiros anos de sua vida na África e foi criada com animais selvagens. As imagens comoventes da sua vida com inúmeros animais daquela área foram publicadas em um livro chamado 'Tippi: my book of África'.
Fotografias incríveis mostram como a garota faz amizade com Abu, um elefante que ela chamava de irmão, um leopardo que era o seu melhor amigo, um avestruz, um babuíno e vários outros animais que são retratados em seu livro. Separamos algumas delas.
Segundo Sylvie, a mãe de Tippi, a vida diária deles consistia em garantir que os macacos não roubassem sua garrafa. "Ela estava muito em paz com os animais. Ela falava com eles com os olhos e o coração. Não percebia que não era do mesmo tamanho que Abu, falava com ele com se estivesse falando comigo. Por aqui a chamavam de 'a garotinha que podia falar com os animais'", comentou Sylvie.
A infância de Tippi na África foi extraordinária. Era um lugar mágico que representava a perfeita felicidade. Mas isso mudou quando ela teve que se mudar para Paris para estudar. Ela sentiu como se a África tivesse sido tirada dela injustamente e isso lhe causou muita dor e profunda tristeza. Ela nunca reclamou ou falou sobre o assunto, mas era nítido que algo tinha desmoronado.
Quando ela foi para Paris os hábitos da África não saíram de dentro dela. A menina conta que tentou conversar com pardais, cachorros, pombos, gatos, vacas e cavalos quando chegou à Paris, mas não conseguiu. Segundo Tippi, seu verdadeiro país é a África e não a França. Quando em Paris, Tippi frequentou a Universidade de Sorbonne na França para estudar cinema. A última informação a seu respeito, diz que ela estava cuidando de tigres em Fort Boyard. Essas são fotos recentes de Tippi que mostram que ela não perdeu seu amor e contato com a natureza.
Por Bruno Dias/Fatos Desconhecidos

COMO APLICAR A TERAPIA ABA?



Uma das principais ferramentas para desenvolver uma pessoa no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é a Análise Aplicada do Comportamento (Applied Behavior Analysis – ABA). De crianças à adultos, a ABA contribui para melhorar comportamentos socialmente importantes e, assim, permitir àquele que está no espectro ter suas habilidades aperfeiçoadas, bem como manejar suas limitações, contribuindo com seu desenvolvimento.
Existente há mais de 50 anos, a ABA é um tratamento baseado em evidências científicas que atestam sua eficácia. Consiste em um conjunto de procedimentos e intervenções destinados a aumentar comportamentos positivos, ensinar novas habilidades, que possibilitem à criança se integrar em novos ambientes e reduzir comportamentos prejudiciais a ela, como a autoagressão.
Suas técnicas possibilitam ampliar a capacidade cognitiva, motora, de linguagem e de integração social, procurando reduzir por meio de práticas de repetição e esforço comportamentos negativos que possam causar danos ou interferir no processo de aprendizagem podendo auxiliar no aperfeiçoamento de habilidades básicas, como olhar, ouvir e imitar, ou complexas, como ler, conversar e interagir com o outro.
Há várias abordagens diferentes de ABA. Desde as mais estruturadas até aquelas lúdicas, aplicadas por meio de brincadeiras. Para aplicar como profissional é preciso ser especializado (analistas de comportamento certificados). De acordo com o Child Mind Institute, uma instituição internacional sem fins lucrativos, dedicada a transformar a vida de crianças e famílias que lutam contra problemas de saúde mental e de aprendizagem, a demanda por especialistas certificada é tão alta que muitos deles não oferecem a terapia direta e, em vez disso, consultam, ajudando as famílias a contratar profissionais qualificados que podem não ter a certificação de analista, mas são supervisionados de perto por alguém tenha. Esses são chamados de técnicos de comportamento registrado.
Terapeutas ocupacionais, educadores físicos, são exemplos de profissionais que atuam em equipes multidisciplinares ligadas ao TEA que podem se beneficiar de um treinamento ABA.
Todos podem aprender sobre a ciência ABA para trabalhar com seus filhos, alunos e/ou pacientes.
Como aplicar ABA sendo pai ou educador?  
Uma das características mais positivas de ABA é que ela não requer o uso de equipamentos ou ferramentas caras, o que possibilita ser trabalhada não apenas por profissionais. Ela pode ser praticada em casa, com suporte dos pais e familiares, na escola, complementando as atividades desenvolvidas por analistas comportamentais (que são mais técnicas).
Na prática, há algumas medidas simples que podem ser aplicadas informalmente por aqueles que convivem com quem está no espectro, de maneira a reforçar o que é aprendido no ambiente “profissional”, com especialistas.
Estrutura/rotina: ter horários para realizar atividades como café da manhã, almoço, jantar; fazer lição/estudar; tomar banho e etc., podem proporcionar conforto e segurança para a criança no TEA.
Envolvimento familiar:integrar todas os membros da família que convivam com o autista na terapia ABA reforçará as atitudes que vem sendo desenvolvidas. Por exemplo, se a criança estiver trabalhando habilidades sociais, como manter contato visual durante uma conversa, àqueles com quem ela terá contato devem estar preparados para essa interação. Uma atividade simples é estimulartodos da família a desenvolverem atividades semelhantes. Como cantar músicas que contribuam com aprendizagem ou brincarem de falar as cores dos objetos para que a criança compreenda e comece a assimilar as diferentes cores.
Reforço positivo:  o reforço, dentro do contexto “ABA”, é uma das frentes mais importantes dessa linha de tratamento. Portanto, é preciso valorizar o esforço da criança que tem praticado o reforço positivo. Um exemplo é quando a criança está trabalhando em seu processo “ABA” o ato de “pedir permissão” para fazer algo, como pegar um brinquedo. Assim, caso ela pratique isso com seus pais ou professor e peça determinado objeto, é preciso reforçar positivamente – com um agradecimento – como “Obrigada por pedir o boneco”.
Tente praticar ações que estimulem o olhar da criança para o interlocutor com quem ele está interagindo. Você pode usar recursos para chamar a atenção, como usaróculos.
Espaço de relaxamento: estabelecer um ambiente tranquilo, que propicie momentos de relaxamento é essencial para quem está no espectro. Ao longo do dia a criança pode ter sido submetida a diversos estímulos sensorais, o que pode sobrecarregar o “sistema” dela, deixando-as superestimuladas. Por isso, um local silencioso, com uma atmosfera adequada, pode contribuir para relaxar e, assim, fazer a criança regular seu sistema.
Reduzir o tempo de uso de telas: sejam crianças neurotípicas (fora do espectro) ou que estejam no espectro, a verdade é que o uso de tecnologias como celular, TV, videogame, iPad e etc., deve ser limitado para evitar uma superestimulação dos sentidos.

Referências:
ABA Therapy to promote skills in children with Autism. Behavioural Neurotherapy Clinic. Disponível em http://www.autism.net.au/Autism_ABA.htmAcessado em 28 de junho de 2018.
Bringing ABA into Your Home. Special Learning Inc. Disponível em <https://www.special-learning.com/article/Brining_ABA_into_Your_Home>
How Parents Can Practice ABA Therapy at Home. Chicago Aba Therapy. Disponível em https://www.chicagoabatherapy.com/how-parents-can-practice-aba-therapy-at-home/Acessado em 27 de junho de 2018.
What Is Applied Behavior Analysis?. Childmind. Disponível em https://childmind.org/article/what-is-applied-behavior-analysis/Acessado em 27 de junho de 2018ç.
Por Neuro Conecta

A música e o Alzheimer: o despertar das emoções

A música e o Alzheimer: o despertar das emoções
A música e o Alzheimer têm uma relação estranha, poderosa e fascinante. Pacientes em um estado avançado da doença experimentam subitamente um despertar assombroso ao ouvir uma canção da juventude, uma música cheia de ritmo que, quase sem sabermos como, desbloqueia lembranças e capacidades cognitivas até envolvê-los em um oceano de emoções maravilhosas…
Os neurologistas comentam que é o nosso cérebro que, por uma razão ainda desconhecida, preserva de forma intacta as áreas vinculadas à memória musical a longo prazo. Os psicólogos, por sua vez, assim como os terapeutas e familiares que atendem diariamente aos seus parentes queridos, sabem que a música é, acima de tudo, um consolo para estas pessoas acometidas por uma doença devastadora.
Talvez o nome de Glen Campbell seja conhecido por muitos. Ele foi um dos ícones da música country nos Estados Unidos ao longo dos anos 60 e 70. Morreu não faz muito tempo, depois de uma dura convivência com o Alzheimer. A sua história poderia ser a de qualquer um, como a de outros muitos que tendo uma vida incrível, cheia de sucessos, dificuldades e momentos inesquecíveis, tiveram de enfrentar uma doença que apaga ou confunde as lembranças.
O caso de Glen Campbell foi um dos mais chamativos do ponto de vista clínico, por uma razão muito específica: ele nunca deixou de cantar nem tocar seu violão. E mais, quando ele fazia isso recobrava parte da sua lucidez, até chegar ao ponto de conseguir fazer vários passeios nos quais, em certos momentos, conversava com seus fãs comentando que, curiosamente, tinha conseguido se livrar do álcool, mas não daquela doença “detestável”.

Um caso fascinante, uma história que nos convida a nos perguntarmos o que há por trás dessa relação entre a música e o Alzheimer…

A música e o Alzheimer, um mistério que começamos a desvendar

Os cientistas sempre souberam que existe um vínculo singular entre a música e o Alzheimer, um muro de contenção onde se chegava a um acordo estranho: a degeneração progressiva do cérebro não afeta as estruturas relacionadas com a memória musical a longo prazo. Agora, somente há relativamente pouco tempo, graças às novas técnicas de neuroimagem, foi possível observar algo interessante e revelador.
Um estudo realizado no Instituto Max Planck de Ciências Cognitivas e Cerebrais Humanas, em Leipzig, conseguiu localizar, pela primeira vez, as áreas relacionadas com a memória musical, descobrindo, como os próprios pesquisadores esperavam, que elas estavam quase intactas.
O doutor Jörn-Henrik Jacobsen, responsável por este trabalho, indicou que até pouco tempo mantinha-se a ideia de que nossas capacidades musicais se localizavam nos lobos temporais. Porém, os exames de diagnóstico mostraram outra coisa: a memória musical se localiza no córtex cerebral motor suplementar. O Alzheimer e sua sombra destruidora não chegam com tanto impacto a esta área privilegiada, a este lugarzinho mágico do nosso cérebro. A perda de neurônios é menor e o depósito de proteína amiloide também não é tão afetado. Ou seja, a função desta área continua ativa, ela segue funcionando.
Atividade cerebral
Outro aspecto interessante que foi possível observar é o seguinte: à medida que a doença avança, desgastando nossos processos cognitivos, surgem novas conexões cerebrais. É como se o próprio cérebro tentasse preservar, quase que desesperadamente, uma parte da essência da pessoa, ativando essas regiões relacionadas com a música e com as nossas emoções.
É ali que fica um suspiro do nosso fôlego vital, esperando em silêncio que a música nos acorde durante um instante, um maravilhoso fragmento de tempo no qual podemos voltar a ser (quase e somente quase) nós mesmos…

Benefícios da música em pacientes com Alzheimer

Algo que sabemos da relação entre a música e o Alzheimer é que a primeira é a intermediária em nosso registro autobiográfico. Há momentos do nosso ciclo de vida que ficam vinculados a uma canção, a uma melodia, a um contexto determinado, às pessoas que faziam parte dele e às emoções experimentadas.Assim, quando alguém com Alzheimer ouve uma melodia significativa para si, relacionada com a sua pessoa e com o seu passado, o que conseguimos é o seguinte:
  • Reduzir a ansiedade e a angústia.
  • Diminuir a agitação.
  • Melhorar seu humor e conseguir fazer com que a pessoa se conecte de novo com o seu entorno.
Agora, o mais fascinante é que é uma conexão emocional, um despertar dos sentimentosde um prazer que, poucos segundos atrás, permanecia em letargia.

Como ajudar alguém com Alzheimer através da música?

Chegando nesse ponto e sabendo que há uma relação direta muito positiva entre a música e o Alzheimer, é possível que muitos de nossos leitores que tenham um familiar com esta doença desejem desfrutar de um instante de conexão com ele. E mais, o que desejamos, acima de tudo, é ver como se desenha um sorriso em seus olhos.
Confira, portanto, esses pontos que devem ser realizados para fazer bem a essa pessoa do melhor modo:
  • Pense nas preferências musicais de seu familiar, as canções, melodias, baladas ou peças que fizeram parte da sua vida.
  • Escolha o momento mais adequado, um instante do dia em que estiver mais tranquilo.
  • Crie um entorno propício, sem estímulos externos, um quarto calmo, confortável.
  • Coloque fones de ouvido em seu familiar. A experiência musical é mais significativa, a concentração é mais intensa e o efeito se mantém durante mais tempo no cérebro.
  • Incentive o movimento, ajude-o a seguir o ritmo, bata palmas, faça movimentos com os pés ou inclusive tente dançar com ele. A experiência será mais gratificante.
  • Mulher idosa com flores na cabeça
  • Por último, lembre-se de prestar atenção na sua reação. É possível que algumas músicas não lhe agradem e que outras o convidem a reagir de forma mais positiva. Seja como for, o mais importante é que estejamos presentes, que os sintamos como parte de nós e que, por um instante, possamos abraçá-los sentindo como emerge a sua essência, seu ser autêntico…
  • Por amenteemaravilhosa.com.br

‘Recordista’ em biblioteca pública, aposentado já leu 4.902 livros


Henrique Gentile Menezes consumiu, em média, 446 obras ao ano na última década. Entre seus preferidos, Balzac, Victor Hugo e Machado de Assis
Paula Sperb, na Veja
Os óculos ficam estrategicamente posicionados ao lado dos livros, em uma prateleira da sala de um apartamento de classe média no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. Todos os dias, o aposentado Henrique Gentile Menezes, de 74 anos, conta com a ajuda dessas lentes para poder enxergar melhor de perto durante sua atividade favorita: a leitura.
Porém, Menezes não é um leitor comum. Usuário assíduo da Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, ele já retirou e leu 4.902 livros desde 2007, ano em que o sistema passou a ser informatizado. Ele é o leitor “recordista” da biblioteca – o segundo lugar retirou 1.217 obras. Como frequenta o local desde 1996, antes da informatização, o número de livros retirados por Menezes pode chegar a quase 10.000.
Na última década, ele leu, em média, 446 livros por ano. “Depende do número de páginas do livro. Se a obra tem 500 páginas, levo mais tempo. Mas se é um livro mais curto, de 300 páginas, leio em um dia”, contou Menezes a VEJA. Ele prefere livros de ficção, do gênero romance. “Se o narrador é em primeira pessoa, a leitura é mais fácil porque se apresenta em uma sequência mais lógica. Mas quando são vários narradores, exige mais atenção”, explica. Eventualmente, porém, lê também biografias e obras de filosofia.
Uma pesquisa realizada pelo Observatório da Cultura, da prefeitura de Porto Alegre, mostrou que quase a metade dos moradores da cidade, 45,8%, estava sem ler um livro há pelo menos um ano. Do total dos 1.220 entrevistados, 8,5% nunca tinham lido um livro e 19,6% nunca estiveram em uma biblioteca. A pesquisa foi divulgada em 2015.
Nascido na capital gaúcha, filho de um pedreiro e de uma dona de casa, Menezes precisou abandonar a escola aos 12 anos por ordem da mãe. O garoto passou, então, a trabalhar para ajudar no orçamento da família. “Não recebi estímulo para leitura durante a infância”, relembra. Anos mais tarde, retornou aos bancos escolares para concluir os estudos, mas não chegou a cursar faculdade. Antes de se aposentar, trabalhou como comerciário.
O interesse pelos livros surgiu na adolescência, ao conviver com um grupo de jovens católicos do qual se diferenciava por não se considerar religioso. Além dos esportes, o grupo trocava leituras.
Foi assim que alguém lhe emprestou Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare. “Depois disso, não parei mais de ler”, recorda. Com tantos livros lidos, os preferidos continuam sendo os canônicos como Honoré de Balzac e Victor Hugo. Entre os brasileiros, seus preferidos são Machado de Assis, Jorge Amado, Erico Veríssimo e Rubem Alves. Quando depara com uma obra ruim, não desiste. “Eu leio até o fim para saber explicar por que não é bom”, conta.
Segundo Renata de Souza Borges, diretora da biblioteca da prefeitura, o acervo possui 33.250 títulos e 42.723 exemplares. Portanto, Menezes já retirou, desde 2007, 14% dos títulos oferecidos. Para que não retire o mesmo livro novamente, criou uma estratégia que discretamente burlava as regras do local. Ele marcava, a lápis, uma letra “H”, inicial do seu primeiro nome, na última página. A tática, porém, foi descoberta e delatada por uma ex-funcionária. “Não tiro a razão dela, estava errado fazer aquilo”, afirma. Todavia, a necessidade de saber qual livro foi lido por ele se mantém. Por isso, revelou um segredo: ele deixa uma discreta marca em cima do número que indica a página de número 50.
No total, a biblioteca tem 12.484 usuários cadastrados. Destes, 5.835 são ativos. De acordo com a diretora, no ano passado, foram feitos 21.306 empréstimos e 44.258 consultas ao acervo. É possível retirar cinco livros por vez. Por isso, Menezes frequenta a biblioteca duas vezes por semana, retirando dez obras.
“Ele lê demais, os olhos ficam ardendo, não se importa de ler no escuro. Faz muito bem ler, mas demais não dá”, conta Mary Ieda Anoni Lourenço, de 61 anos, casada com Menezes. O aposentado tem dois filhos adultos, fruto do primeiro casamento.
A pedido da mulher, Menezes tem interrompido a leitura à noite, para não prejudicar a visão. Ele só fecha os livros para assistir a jogos de futebol ou ouvir música. Ele torce para o Internacional e gosta de escutar Paul Anka, The Platers, Elvis Presley, Beatles, Legião Urbana e Raul Seixas.
“Por causa da literatura, eu mudei muito. A literatura me ajuda, me ensina”, explica. Para ele, o incentivo à leitura deve partir especialmente da escola. “Os alunos precisam receber indicações de livros, resumi-los, apresentá-los. Isso faz falta.”
Por Cristina Danuta/Livros e Pessoas

quinta-feira, 15 de março de 2018

Você é uma laranja inteira: educar para evitar a dependência emocional

Como evitar a dependência emocional

Nós tendemos a perceber que a dependência é um problema quando a vivemos de perto ou estamos envolvidos, quando a relacionamos com um sofrimento real ou potencial. No entanto, é possível educar para evitar a dependência emocional? Podemos prevenir relacionamentos tóxicos com a educação?
Os seres humanos são dependentes. Nascemos dependentes. No entanto, a dependência emocional é um estado psicológico que é uma ótima fonte de desconforto para aqueles que a vivem. Como seres sociais, precisamos uns dos outros. Buscamos contato, cooperação e troca. Nós nos unimos e construímos. No entanto, isso nem sempre acontece dessa forma: às vezes nos juntamos a alguém e, apesar de entendermos que a relação nos destrói, sentimos a necessidade de mantê-la.

Quem disse que você não é uma laranja inteira?

Mídia, brincadeiras, perguntas desnecessárias, contos populares, tradições, conselhos pouco pensados… Eles não deixam dúvidas: precisamos estabelecer uma relação amorosa para nos sentirmos completos e completas. Será?
Não é um segredo que vivemos em uma sociedade que, mais ou menos conscientemente, fortalece as relações de dependência, desfigurando o significado final de um relacionamento: o de compartilhar e somar, por querer e não por precisar. Infelizmente, só queremos evitar a dependência emocional quando estamos sofrendo ou vendo o sofrimento daqueles que amamos.
Mulher brincando com coração

O papel da educação para evitar a dependência emocional

Os modelos e experiências que temos na primeira infância servem de referência para enfrentar o mundo e os relacionamentos. Uma criança que não aprendeu a ter carinho de uma maneira que é certa para ela e para os que estão ao seu redor provavelmente, quando adulta, se sentirá um pouco perdida neste campo e continuará tentando buscá-lo de maneira imprudente. Do mesmo modo, é provável que crianças que crescem com pais que sabem controlar, gerenciar e falar sobre suas emoções acabem por ser muito mais habilidosas nisso.
Nesse sentido, educar para evitar a dependência emocional é, além de saudável, possível. Querer que as crianças se tornem adultos independentes é uma meta pouco realista se esta independência não for incentivada. Quando nasce um bebê, a dependência é total. No entanto, a autonomia progressiva que será adquirida dependerá da sua educação.

Como educar para evitar a dependência emocional?

O psicanalista John Bowlby formulou a teoria do apego para explicar o vínculo emocional gerado entre o bebê e seus pais. Este autor argumentou que o estilo de apego começa a se formar durante a infância, mas que essa formação continua ao longo da vida. É claro que o tipo de apego que as crianças estabelecem com suas figuras de referência constituirá, de alguma forma, a base do seu desenvolvimento emocional.
Portanto, promover um apego seguro na primeira infância será fundamental para evitar relacionamentos tóxicos gerados pela dependência. Este vínculo afetivo será o lugar onde as crianças aprenderão que explorar o mundo e suas complexidades sozinhas é compatível com o sentimento de amor, confiança e segurança de seus pais.
Mãe deitada na grama com sua filha
Algumas diretrizes para educar crianças resilientes e evitar a dependência emocional:
  • Demonstrar carinho. Expressar o amor pelas crianças com palavras e gestos faz com que elas se sintam amadas. Somente dessa maneira elas poderão explorar sabendo que têm um refúgio para se proteger se precisarem.
  • Expressar emoções. Expressar o que sentimos e por que sentimos permite que as crianças desenvolvam empatia. Além disso, assim elas entendem que as emoções são humanas e que não há problema se sentirmos tristeza ou raiva. Identificar o que elas sentem proporcionará um maior autoconhecimento e favorecerá a modulação dos comportamentos. Longe do que se pensava há décadas, o sucesso das crianças está mais condicionado pela inteligência emocional do que pela capacidade intelectual.
  • Estar disponível. Não ajuda passar muito tempo com as crianças se você não brincar com elas ou prestar atenção às suas necessidades. As crianças precisam saber que seus pais estão lá (mesmo quando não estão) e que são sensíveis às suas necessidades.
  • Promover a autonomia e a tomada de decisões. Encorajar as crianças a tomar suas próprias decisões faz com que elas confiem em seus próprios critérios. Estimular sua curiosidade e resolver conflitos as faz sentir mais capazes e confiantes.
  • Fornecer segurança e confiança. Quando recompensamos seu progresso e as apoiamos em novos projetos, elas desenvolvem uma imagem positiva de si mesmas. Esta é a forma como permitimos que as crianças se sintam competentes. Além disso, quando as acompanhamos nas quedas e lhes damos confiança para tentar de novo, promovemos valores como estabilidade ou perseverança.
  • Cuide-se. Não se descuide por cuidar dos outros. É conveniente encontrar e transmitir esse equilíbrio, mostrando que elas são os primeiras que precisam se preocupar em cobrir suas próprias necessidades. Não é incomum observar pais que rotineiramente renunciam a atividades de lazer ou momentos para si mesmos. Às vezes a culpa surge, como se o lazer fosse incompatível com os bons pais ou mães. É essencial estar ciente disso. Diferentes estudos confirmaram que a dependência emocional dos pais para com seus filhos causa efeitos negativos que são difíceis de reverter.
Pais beijando as bochechas da filha
Portanto, se entendemos que os educadores são o exemplo direto para crianças, a importância de ter bons modelos é evidente. Se procuramos educar crianças que não são dependentes emocionalmente, seria bom começar educando crianças que se conheçam, se amem e se valorizem. Talvez devêssemos conhecer, amar e valorizar mais a nós mesmos. Este pode ser um bom momento para lembrar que somos capazes, não somos metade de nada… porque somos seres completos. Então, a partir daí, podemos ensinar a diferença entre necessidade e amor. Inteiros, seremos mais livres.
" Não é que eu queira estar sozinho. É que ainda não encontrei alguém que queira assumir o compromisso de ser livre ao meu lado”.
– Quetzal Noah –
Por amenteemaravilhosa.com.br

terça-feira, 13 de março de 2018

Pleonasmos viciosos mais comuns da língua portuguesa

Os pleonasmos viciosos mais comuns da língua portuguesa passam despercebidos pela maioria dos falantes.
 Os pleonasmos viciosos acontecem, principalmente, na oralidade 
Embora comuns no dia a dia dos falantes, os vícios de linguagem são considerados erros gramaticais. Esses desvios acontecem quando palavras e expressões fogem às regras da norma culta ou padrão da língua. Entre os vícios mais comuns, está o pleonasmo, que ocorre normalmente na tentativa de nos expressarmos melhor. Mas você sabe o que ele é?
De origem grega, polys – pleon – pleonasein (muito), pleonasmo significa redundância. Esse vício de linguagem acontece quando palavras redundantes são utilizadas sem função, uma vez que o sentido da mensagem já foi alcançado antes com a apresentação de outras palavras.
Conheça os pleonasmos viciosos mais comuns da língua portuguesa:
subir para cima monopólio exclusivo voltar atrás
descer para baixo ganhar grátis preconceito intolerante
sair para fora encarar de frente sintomas indicativos
entrar para dentro multidão de pessoas fato verídico
cego dos olhos amanhecer o dia suicidou a si mesmo
gritar alto criação nova comer com a boca
pessoa humana repetir de novo surdo do ouvido
hemorragia de sangue planejar antecipadamente países do mundo
viúva do falecido isto é um fato real de chapéu na cabeça
acabamento final na minha opinião pessoal elo de ligação
certeza absoluta maluco da cabeça abusar demais
juntamente com goteira no teto detalhes minuciosos
em duas metades iguais infarto do coração comparecer pessoalmente
há anos atrás de sua livre escolha  
outra alternativa anexar junto  

Os pleonasmos viciosos, conhecidos também como perissologia ou tautologia, não são, na maioria das vezes, notados pelos falantes, visto que muitas expressões listadas anteriormente são corriqueiras na oralidade. Entretanto, são formas que devemos evitar, uma vez que são considerados desvios gramaticais.
Por Mariana Pacheco/Brasil Escola-UOL

Bibliotecário: peça-chave para o estímulo e fomento à leitura

O dia 12 de março, no Brasil, é dedicado a homenagear os bibliotecários. A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), tem papel essencial na estruturação da profissão no País. Foi dela o primeiro curso de Biblioteconomia no Brasil, criado em 10 de abril de 1915 para suprir a necessidade de qualificação dos servidores que lá trabalhavam. Depois, os cursos foram para as universidades (o da FBN está atualmente associado à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - Unirio) e possibilitaram melhor formação dos profissionais da área. Hoje, a internet e novas tecnologias não apenas modificaram a forma de os cidadãos utilizarem as bibliotecas, como também transformaram a maneira de atuar do próprio profissional responsável por elas.
   
Vanessa Cardoso, 28 anos, é jovem, moderna e entusiasta da profissão de bibliotecária. Acredita que a biblioteca pode ser um espaço atraente e de inclusão social (Foto: Arquivo pessoal)
 
"O campo de conhecimento e de trabalho da Biblioteconomia é amplo. Estamos habilitados para atuar na estrutura de ambientes digitais, em repositórios institucionais, centros de cultura, empreendedorismo, análise de dados digitais, projetos sociais de disseminação da cultura e informação, recuperação e disseminação da informação em provedores de buscas e muito mais", explica a bibliotecária Vanessa Florargen Cardoso, da Biblioteca do Colégio Divina Providência, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. 
 
Longe do estereótipo da bibliotecária como "senhora sisuda que exige silêncio dos usuários do espaço", Vanessa, 28 anos, é jovem, moderna e entusiasta da profissão e adora fazer atividades de contação de histórias com leitores. Acredita que a biblioteca pode ser um espaço atraente e de inclusão social.
 
"Apesar de diversas vezes as pessoas desconhecerem nossa profissão e qualificação para atuar em diferentes plataformas, seja digital ou impressa, me sinto atraída pela biblioteconomia e seus diversos desafios e possibilidades de atuação", conta. "Sou uma apaixonada pela biblioteconomia social e escolar, são eixos da minha profissão nos quais realmente me realizo profissionalmente e tenho compromisso, não somente como bibliotecária, mas com a sociedade civil também", afirma Vanessa.
 
Assim como para Vanessa, a profissão é promissora para interessados em atuar em meios digitais e em bibliotecas escolares. Por força de lei, até 2020, todos os colégios, privados ou públicos, devem ter um bibliotecário responsável pela biblioteca.
 
Engajada no papel social que a profissão pode oferecer, Vanessa defende que os bibliotecários possam e devam promover ações de estímulo à leitura de diversas formas. "Tudo depende da filosofia da instituição onde o profissional está atuando e qual suporte terá para executar a sua ação. Entretanto, algumas metodologias são válidas: contações de histórias, oficinas de saberes, estudos de usuários – onde conhecemos as preferências e necessidades de nosso público-alvo e integração das equipes de trabalho para assim estabelecer um quadro de necessidade, objetivo e metodologia", exemplifica.
 
Biblioteca Nacional
 
A Biblioteca Nacional conta com acervo de cerca de 9 milhões de itens, possui laboratórios de restauração e conservação de papel, oficina de encadernação, centro de microfilmagem, fotografia e digitalização (Foto: FBN)
 
Evoluindo juntamente com as necessidades da sociedade, a Fundação Biblioteca Nacional criou, há 12 anos, a BNDigital, uma das maiores bibliotecas digitais do Brasil, com mais de 1,5 milhão de documentos entre arquivos sonoros, atlas, desenhos, fotografias, gravuras, jornais, livros, manuscritos, mapas, partituras, plantas e revistas.
 
A FBN, que completa 208 anos em 2018, iniciou seu acervo com documentos e materiais que vieram da Real Biblioteca de Portugal junto com a família real portuguesa. Sua responsabilidade – como uma instituição das mais antigas do Brasil – é executar a política governamental de captação, guarda, preservação e difusão da produção intelectual do País.
 
Atualmente, a FBN possui 109 bibliotecários, sendo 95 mulheres e 14 homens. "Elo entre o passado e o futuro, o bibliotecário, além de tratar e disponibilizar a informação nas mídias tradicionais, precisa estar constantemente atento à evolução das novas tecnologias de informação e comunicação para poder oferecer ao pesquisador dados atualizados", afirma a presidente da Biblioteca Nacional, Helena Severo.
 
Considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como uma das principais bibliotecas nacionais do mundo, a FBN conta com acervo de cerca de 9 milhões de itens, possui laboratórios de restauração e conservação de papel, oficina de encadernação, centro de microfilmagem, fotografia e digitalização. Promove exposições, palestras, cursos e oficinas em sua sede, além de editais de estímulo à produção e à tradução de autores nacionais por editoras estrangeiras. E, principalmente, assegura o registro e a guarda da produção intelectual nacional, por meio da Lei do depósito legal (10.994, de 2004) ao abrigar exemplares de todas as obras lançadas no Brasil.
 
Origem da data
 
Instituído no Brasil em 1980 pelo Decreto nº 84.631, o Dia do Bibliotecário homenageia o dia de nascimento de Manuel Bastos Tigre, primeiro bibliotecário concursado no Brasil. Bastos Tigre, que exerceu a profissão por cerca de 40 anos, militou em defesa dos direitos autorais e atuou como escritor, poeta, dramaturgo e publicitário. Foi autor do clássico slogan "Se é Bayer é bom" e também fez parcerias musicais com Ary Barroso e Orlando Silva.
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

domingo, 11 de março de 2018

Conheça Sabrina, a “nova Einstein”

Na adolescência, Sabrina Pasterski se divertia construindo aviões. Hoje, impressiona o mundo da física com os seus estudos sobre buracos negros.

Conheça Sabrina, a “nova Einstein”
(Cambridge02138/Creative Commons)

Ela não tem Twitter e mal atualiza a sua conta no Facebook. Se você procurar o seu nome no Instagram, irá encontrar uma conta cujo a descrição do perfil é: “Não sou a real Sabrina, pois ela provavelmente está ocupada fazendo alguma coisa incrível”. E é verdade. Sabrina Pasterski tem apenas 24 anos e está prestes a se tornar PhD em Havard estudando um dos assuntos mais desafiadores da física: buracos negros e a natureza da gravidade e do espaço-tempo. A forma como está lidando com o tema fez com que o corpo docente da instituição afirmasse que estão trabalhando com “a nova Einstein”.
Filha de pai americano e mãe cubana, Sabrina nasceu em Chicago onde estudou numa escola para crianças superinteligentes. Em 2013, foi a primeira mulher em duas décadas a formar-se em física no MIT entre os melhores da turma. Stephen Hawking citou o trabalho de Pasterski mais de uma vez em um paper publicado em 2016. Jeff Bezos, fundador da Amazon, vestiu a camiseta de fã da menina e a convidou para trabalhar na Blue Origin, empresa de astronáutica da qual é dono. Onde? Onde ela quisesse, o importante é ter uma mente assim por perto. A NASA não quis ficar para trás e fez uma proposta parecida. Ela recusou ambas, quer focar nos estudos por hora.
Sabrina apareceu para o mundo aos 14 anos, quando bateu na porta do MIT para receber o aval e reconhecimento do avião monomotor que projetou e construiu com as próprias mãos, além de ter feito 300 modificações no design para torná-lo mais seguro do que outros modelos similares.
Ela se tornou a mais jovem projetista da história dos EUA. Como se isso não fosse o bastante para deixar a imprensa insana, pouco depois outro recorde foi quebrado – a de piloto de testes mais jovem. Sim, Sabrina pilotou o próprio avião. Todos os jornais que noticiaram o acontecimento destacaram o fato de que, na época, ela ainda não tinha carteira de motorista.
Da matéria de capa da Forbes ao Ted Talks, todo mundo queria saber um pouco mais sobre a vida da menina prodígio. Se entregar aos holofotes é uma escolha fácil e sedutora, mas não foi o que aconteceu. Depois de um rápido período de exposição, Sabrina deixou de conceder entrevistas. O seu site oficial tem uma justifica no mínimo humilde: “Sou apenas uma universitária. Tenho muito a aprender. Não mereço a atenção”. Não é bem verdade, mas talvez tenha sido melhor assim. A imprensa já tinha chegado naquela irritante fase em que começa a perguntar sobre namorados.
Deixem a moça trabalhar, colegas. Ciência, como Sabrina já aprendeu, não se faz sob holofotes.
Por Felipe Sali/Superinteressante





QUAIS DIREITOS DA PESSOA COM AUTISMO?



Garantir à pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) possibilidades de cuidar de si e interagir socialmente enquanto viver; estabelecer acesso à educação, informação, emprego e assistência em saúde – o que deve incluir atendimento multiprofissional, nutrição e terapêuticas adequadas, assim como medicações, quando necessário. Estes são alguns dos direitos estabelecidos para que haja inclusão e participação desta população na sociedade, seja no cenário social, político ou cultural.
O TEA não deve ser um impeditivo para que haja oportunidades iguais aos demais cidadãos. Eles são parte da população. De acordo com o ex-secretário-geral das Nações Unidas (ONU), o sul-coreano Ban Ki-Moon, “a rejeição das pessoas que apresentam essa condição neurológica “é uma violação dos direitos humanos e um desperdício de potencial humano”. Ainda segundo ele, “embora as pessoas com autismo tenham, naturalmente, uma ampla gama de habilidades e diferentes áreas de interesse, todas elas compartilham a capacidade tornar nosso mundo um lugar melhor” – afirmou durante comemorações de 2016 pelo Dia Mundial da Conscientização do Autismo.
Para formalizar os direitos no Brasil, foi instituída a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo, por meio da  Lei nº 12.764, publicada no final de 2012 e lançada no dia 2 de abril de 2013, mesma data em que é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Com isso, autistas passam a ter os mesmos direitos para efeitos legais que as pessoas com deficiência.
De acordo com o artigo 2º da normativa são diretrizes:
I – a intersetorialidade no desenvolvimento das ações e das políticas e no atendimento à pessoa com Transtorno do Espectro Autista;
 II – a participação da comunidade na formulação de políticas públicas voltadas para as pessoas com Transtorno do Espectro Autista e o controle social da sua implantação, acompanhamento e avaliação;
III – a atenção integral às necessidades de saúde da pessoa com Transtorno do Espectro Autista, objetivando o diagnóstico precoce, o atendimento multiprofissional e o acesso a medicamentos e nutrientes;
Em 2016, durante audiência pública realizada na Comissão de Direitos Humanos, no Senado Federal, em Brasília (DF), líderes de instituições de apoio a pacientes e familiares, psicólogos entre outros agentes ligados ao movimento em prol dos direitos da pessoa com espectro do autismo avaliaram que embora haja a Política Pública, ainda está longe do ideal e de alcançar às necessidades destes cidadãos. Eles indicaram fragilidades como a falta de amparo às famílias de pessoas que têm distúrbios severos. Outro aspecto é a ausência de programas que envolvam adolescentes e adultos. Atualmente, a maior parte das ações é focada nas crianças.
Se você precisa de suporte com alguma questão referente aos direitos da pessoa com TEA, de seus familiares, entre outros aspectos correlacionados, elencamos algumas instituições que podem auxiliar no Brasil:
Por NeuroConecta